At the very beginning of a brand new millennium Europe is leaving behind almost three thousand years of history that gave birth and rise to the so-called Western Civilization and is now facing its definitive fall as an international reference. At the dawn of the twenty-first century we are now witnessing the definitive humiliation of Greece, mother of our civilization, followed by Italy, its second pillar, Portugal and Spain, the first overseas empires of the contemporary world. Others will follow at the hands of bureaucrats and technocrats and the ones they serve, namely old bourgeois families, remnants of old aristocrats, new local millionaires that made fortunes by every dubious mean and, most importantly, the yuppies to whom people, land and nation are nothing but collateral damage of their addiction to making millions.
Unlike what has been taught at schools, there were no winners or losers left in Europe after both World Wars. Europe lost. After centuries of foolish nationalisms, religious fundamentalisms, dictatorships, prejudice of all sort and, above all, fierce imperialism, Europe had lost its identity and its role in the World. However, our present leaders still insist to see Europe as a quilt made of unrelated patches, each regarding its neighbour as a vessel to draw money from and thus allegiances are made and lost to honour the most obscure benefits. In the process, Europeans were forgotten and are formatted to look at history as a succession of empires and the conflicts between them. As a result, the British rather become a protectorate of the US than work with their fellow neighbours. Germans and French easily criticize their southern counterparts regarding their finance, however submarines have been forcedly sold to indebted countries by unclear means that tend to leave a trail of corruption and waste. Rich countries forgot where their wealth is based on, meaning the cheap labour and commodity markets that are supplied by other countries. Not to mention who is benefiting from the abusive interest rates that are attacking poorer countries like ravaging swarms of wasps.
The mediocrity that grabbed the wheels of power is overwhelming. Unfortunately, this is not a problem restricted to our continent, of course, but such fact does not ameliorate the sadness of watching the motherland of so many philosophers, ideologists and revolutionaries so devoid of critical intellect. It is also clear that our leaders, high above in their pedestals, live in quite a different world from the one most Europeans dwell. Down here, our lives are played like if in a checkers game, mediocre politicians look at the very people they ought to serve like an embarrassing burden that makes statistics look bad. The very notion of the social state, which is the real reason why people came to live together, anyway, became an obstacle to finance, as once it was to the selfish objectives of sovereigns and dictators. Democracy itself is at its last when financial institutions now decide who is or not to govern a country. Remember Greece. And Ireland. And Portugal. And Spain. Others will, once again, follow. Meanwhile, our protests are ignored when not censored. Europeans are now collateral damage in their own home. History, however, repeats itself. Remember 1789 and 1917.
We should be fighting for our common home, without denying our ancestors, nationality or history. Europe should belong to all Europeans and all who wish to join us or become our allies. We should be proud that our home it the selection of all those who arrive at our shores in hope of a better life instead of chasing them away like unwanted beasts. We do not need more empires or weapons of mass destruction parading up and down the squares. And if we want oil, we shall simply buy it instead of supporting the dictator who may arrange the monopoly on our behalf. Our cities are now crowding with people from all over the continent, in fact from all over the world, taking benefit from free trade, liberty to travel anywhere and from our common currency which is under attack since it threatened the majestic USD. May all of us think if we wish to return to the era of fortified borders with little soldiers all around them. May we all look back and think if what we want is to return to the age of empires, dubious allegiances and treacheries that ultimately ended in two world wars, sixty-million dead bodies, a holocaust and a wall that divided the continent by the world’s new superpowers. May we think if we really want to go back to all that.
Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. — No fundo de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas de dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?
Almeida Garrett
(in Viagens na minha terra, 1846)
...ou assim desejariam uns quantos.
Proponho que sejam passadas em revistas todas as grandes vitórias do neo-liberalismo português, encimado por este nosso novo governo que tanto nos afoitámos por eleger:
1) Acabaram-se a saúde, educação e transportes verdadeiramente públicos e gratuitos ou de custo simbólico.
2) Acabaram-se os despedimentos com justa causa. Ficaram só os despedimentos.
3) Acabaram-se com as indemnizações dignas desse nome por despedimento seja de que tipo for.
4) Acabaram-se as férias pagas.
5) Acabou-se o conceito de bem de primeira necessidade. A electricidade é cara, o gás também, a água para lá caminha. Privatize-se o ar também, porque não.
Em troca recebemos:
1) Menos ordenado.
2) Maior carga fiscal.
3) Menor poder de compra.
4) Pior qualidade de vida.
E para quê, afinal? Para que os Amorins, Azevedos, van Zelleres, Mellos, Balsemões e outros figurões não paguem impostos em condições.
Assim sendo, todo um século de vitórias conseguidas a ferro pelos povos foi definitivamente enterrado. Eis-nos, portanto, regressados ao século XIX. Um detalhe curioso, contudo: no século XIX os estados já estavam endividados. Aparentemente,já então, esta merda toda de nada mais serviu, serve ou servirá, do que a manutenção do status quo de um punhado de ricos.
Sugiro que acordemos. Dia 15 para a rua.
Por mais que o desejem, por mais que o jurem os neo-liberais, por mais que culpem tudo e todos pelos seus insucessos (do estado social ao multiculturalismo), o capitalismo não é, nunca foi, nem será, sustentável. A aritmética do capital é simples: numa perspectiva neo–liberal, dois mais dois não são necessariamente quatro. Podem ser cinco, seis, ou zero, dependendo de onde sopram os ventos da especulação. No entanto, a aritmética real contradi–los: dois mais dois serão sempre quatro e assim, depois de sessenta anos de american dream, em que dois mais dois podia ser mudar de carro todos os anos, casa no subúrbio com piscina e consolas para os miúdos, eis que a matemática mais elementar chegou para cobrar. Afinal, o grande sonho americano, o grande horizonte capitalista não está ao alcance de maioria. A maioria, essa, endividou–se até ao tutano, deixou de pagar as contas e os juros do crédito que contraiu para se cercar de luxos inúteis e assim começaram a cair as empresas de crédito ao consumo. E depois os bancos que lhe emprestavam dinheiro. E por aí fora. Hoje, são os próprios países que estão em risco. É curioso pensar que o tal “efeito dominó” demonizado pelo senhor Kissinger afinal, não foi despoletado por ditaduras de loucos e genocidas que enterraram a esperança de milhões em Gulags e afins mas pela própria ilusão capitalista, se me é permitida esta fraca analogia.
A humanidade não pertence a ela própria. A humanidade pertence a uma elite. Esta elite não é de “esquerda” nem de “direita”, nem “democrata” nem “republicana” nem se identifica com “ismos”. Esta elite utiliza, isso sim, um “ismo” – o capitalismo – para exercer o seu domínio. Para esta elite, que detém, efectivamente, a quase totalidade da riqueza mundial, o resto da humanidade existe para a servir. O resto da humanidade é mão–de–obra e, simultaneamente, mercado. Nós, o resto, somos inferiores, o nosso propósito é a subserviência. Se existe fome, se existe miséria, se existe precariedade, para a elite, tal é um efeito secundário necessário para a manutenção do seu status, um fenómeno episódico que convém monitorizar e nada mais. Esta elite formou um grupo – arriscaria dizê–lo político se na verdade, não o soubéssemos acima de qualquer concepção de “política”. A democracia, para estes senhores, é algo com que as massas se entretêm para que se convençam de que são livres. A necessidade de financiar campanhas políticas e a eficácia dos grupos de pressão (ditos lobbies) garante–lhes o verdadeiro controlo sobre as nações. Colocaram–se de lado, para o efeito, rivalidades entre famílias, e criou–se o grupo Bilderberg, assim chamado pela localidade suíça onde ocorrem reuniões. Interessantemente, o tal senhor Kissinger tem sido o feliz cão–de–fila deste mesmo grupo. O capitalismo parece ser a ferramenta ideal para a manutenção do status deste grupo de poderosos, os verdadeiros senhores do universo: é apelativo – os humanos gostam de possuir e exibir as suas posses; é auto–sustentável ideologicamente – a grande maioria das pessoas prefere a ilusão de ser, um dia, parte da elite do que a certeza de que, levando uma vida honesta, poderão ter qualidade de vida garantida através de justiça social; e por fim, dinheiro cria dinheiro – quem é rico tem e terá as portas do mundo destrancadas, quem tem muito dinheiro, tem–nas escancaradas. Na prática, a receita é simples: privatiza–se tudo, garante–se um ensino de massas fácil, ilusório e estupidificante (veja–se Bolonha), tendo–se o cuidado de criar uma Ivy League para as elites que a possam pagar. O resto é o laissez faire capitalista e puro merchandising – é certo e sabido que as pessoas comuns mais depressa absorvem publicidade do que propaganda política. O sistema tem, contudo, falhas graves.
As elites, no seu conjunto umas poucas dezenas de famílias de todo o mundo, não foram, são, e dificilmente serão, afectadas pela crise financeira mundial. Ninguém lhes cobra mais impostos para cobrir défices e redistribuir a riqueza que andaram a acumular e cujo único propósito é a manutenção do status. Ninguém lhes pede para prestar contas pelo descalabro do sistema financeiro que divisaram e mantêm. Pelo contrário, estão cada vez mais ricos. O mercado económico dos comuns trabalhadores, esse, está cada vez mais depauperado de riqueza após a sangria desta para os bolsos da elite, ocorrido principalmente nos últimos sessenta anos, desde que os EUA tomaram conta do mundo (ou quase todo – mais do que uma questão ideológica, a questão soviética foi essencialmente geopolítica). Esta sangria de capital das classes média e inferiores, não apenas continua após a crise do sub–prime como aumentou com o pretexto dos défices avassaladores (e irrecuperáveis, convenhamos) que os países capitalistas acumularam para manter um estilo de vida que tanto apregoaram e que é, obviamente, insustentável. Assim, quando do que necessitávamos seria a redistribuição de riqueza pela humanidade, eis que as elites, recusando abrir a bolsa, forçaram governos a cobrar mais impostos à classe média, flexibilizar leis do trabalho, aumentar a precariedade laboral, entre outras medidas já bem conhecidas por todos nós. A curto prazo, poderá manter o capitalismo à tona de água – durante mais um ano, ou dois, ou três – mas não impedirá o navio de se afundar. A médio prazo (provavelmente mais curto do que se pensa), a massacrada e empobrecida classe trabalhadora deixará de poder consumir e sem consumo, não há economia de mercado. Onde estão, pergunta–se, as reformas que se adivinham necessárias: a tributação sobre as grandes fortunas, o fim dos paraísos fiscais, o controlo (ou eliminação) da especulação financeira (começando pelas agências de rating), o controlo dos custos das matérias–primas essenciais que tanto têm encarecido a produção primária à custa da cartelização (como no caso do petróleo), a implementação de um estado social justo em que se paguem (e bem) impostos mas onde saúde, segurança, transportes e educação sejam gratuitos para que sobre a quem trabalhe riqueza para poder comprar e assim manter um mercado saudável e auto–sustentável? Nada disto, contudo, foi feito. Pelo contrário, vivemos numa época de ditadura: ao invés do medo de uma qualquer polícia política temos agora o medo dos mercados e dos senhores do universo que os controlam. É a ditadura do dinheiro. É o capitalismo.
Esta elite, estes senhores do universo, apenas temem duas coisas – duas coisas apenas: 1789 e 1917. Estes dois números, ou melhor, duas datas, representam as duas únicas alturas em toda a história da humanidade em que foram derrotadas. É claro que antes tínhamos outras famílias, outros nomes para os senhores do universo mas as elites são as elites. O problema é que as pessoas são as pessoas. Um Rothschild e eu partilhamos o mesmo património genético. Eu não sou um senhor do universo nem quero sê–lo mas a mim, tal como a muitos outros, a paciência tende a esgotar–se. Aconteceu antes: em 1789 e em 1917. Robespierre e Estaline poderão ter enterrado o sonho mas os verdadeiros sonhos nunca morrerm. Pensem nisso, meus senhores. E paguem o que devem.
Deixo aqui este interessante vídeo sobre privatizações, medida de que o nosso actual governo tanto aprecia. O filme, em forma de documentário, diz respeito às medidas de privatização adoptadas pela administração Menem na Argentina, há alguns anos atrás. Relembro de que se trata do mesmo país que, algum tempo deois, mergulhou numa das mais severas crises económicas da história contemporânea, uma crise que, como nos devemos lembrar, faz a Grécia nos dias de hoje parecer um paraíso capitalista.
O vídeo tem origem no Brasil, tendo sido elaborado como resposta às medidas propostas pelo então candidato adversário de Lula, José Serra. As analogias que se podem retirar para as actuais propostas do nosso coelho-ministro e sua corte são aterradoras. Meditemos, portanto.
...e eis que - não ao sétimo, nem ao mesmo oitavo, mas ao fim de incontáveis dias - a implacável inércia da aristocracia política, social e económica da Europa se levantou! Às armas que a Itália está sobre fogo! Às armas que a especulação financeira nos estrangula! Às armas que tenho casa à beira do Lago Como!...
Não entendo:
-mas a especulação financeira não é a mãe, o pai, a avó e o gato Tareco deste glorioso mundo capitalista?
-a economia privada, ao invés de destruir nações, não iria levantá-las do chão para a glória do deus Capital?
-Portugal não fará parte da União Europeia, que nada fez para impedir este ataque? Tal como a Grécia? Tal Como a Irlanda?
-Portugal não faz parte da NATO, organização humanitária gerida pelo país que pretende destruir o Euro para não competir com o seu sobrevalorizado e ultra-especulado Dólar?
Bartoon por Luís, de 11 de Julho. Retirado do Público.
... e também...
-mas não é o Sócrates o culpado disto tudo?
-o governo não tinha caído pela excessiva severidade de um PEC qualquer? (Já vamos na versão quê? Cinco?)
Aqui deixo um excerto do exame nacional de matemática (B), 10 e 11º anos de escolaridade, que considero particularmente interessante. A prova pode ser consultada na íntegra no site do GAVE.
Portanto, se percebi bem, há um gajo qualquer chamado Rui que estuda acústica e que se interessa por marés. OK, tudo bem, eu sou biólogo e interesso-me por sofística pré-socrática. Faz sentido.
-Mas ó S'tôr, só há marés em Leixões? Já agora o que é acústica?
-Não, há marés em todo o lado e acústica relaciona-se com o som e sua propagação.
-Mas as marés fazem barulho?
-Bem... não, quer dizer... talvez... não sei.
-Mas nos lagos não há marés.
-Há, só que a massa de água não tem dimensão suficiente para que a maré se possa sentir.
-OK, mas esta cena do som tem que ver com aquilo de se ouvir melhor debaixo de água?
-Não... se bem que as marés se possam considerar oscilatórias, como qualquer vibração.
-Não percebi.
-Deixa estar isso e faz a porra do exercício.
-Deixar estar? Então e se isto é uma informação importante? Não falavam do raio da acústica se não fosse importante, pois não?
-Esquece essa merda! Só está aí porque o exercício seguinte fala de som!
-Ah! Então as marés sempre fazem barulho.
-Fod...
-Então e se o gajo se chamasse António? Tem mais letras, faz mais barulho?
-??
-Então e se fosse um canário? É que a minha avó tem um e mora em Vila do Conde... Já agora, os canários sabem nadar?
-???? Estás louco?
-Ó S'tôr, isto é uma rasteira, não é?
O nosso querido líder viajou recentemente para Bruxelas enquanto débutante da política europeia e, para prestar, como devido, vassalagem à cardeal-matriarca da economia europeia, a Fräu Merkel.
Como demonstrar aos eleitores portugueses que a austeridade é para lecar a sério e, simultaneamente, se exibir como exemplo de confiança e honestidade? Simples: viajar em classe turística pela TAP, ao invés de optar pela classe executiva.
Não está mal visto, não senhor! Salienta-se, no entanto, uma questão (detalhe mínimo, sem dúvida): a TAP NÃO COBRA tarifa aos membros do governo português. Como resultado, o dinheiro que foi, efectivamente, poupado, aos contribuintes portugueses foi ZERO. Demagogia e oportunismo, por outro lado, foram impingidos aos portugueses em abundância.
Enquanto cá se enche a Avenida da Liberdade de ervas em mais uma parolada à nacional; enquanto cá os futuros magistrados (sim, os tipos que supostamente serão pagos para apanhar os cidadãos desonestos) são apanhados a copiar em massa nos exames de acesso à carreira; enquanto por cá se fazem governos de incógnitos medíocres; enquanto por cá as transferências de Porto, Benfica e Sporting são notícia de primeira página, eis que surgem movimentos de revolta que se vão espalhando por essa Europa fora (incluindo por cá) sem que o Tuga se aperceba.
Mais do que questionar o nacional-porreirismo que nos rege, "o que se passa com o jornalismo, nos dias de hoje?" é a questão a colocar.
O que sucede a um dos pilares da Democracia, contituído pela liberdade e pela a idoneidade de informação (coloco-as assim, juntas, pois só unidas fazem sentido)? A resposa parece simples: desabou desabou debaixo de interesses económicos, políticos e da mediocridade geral que, por fim, avassalou o meio jornalístico.
O que cá começou com o descrédito de um primeiro-ministro eleito após o choque frontal com o senhor Belmiro de Azevedo, aquando do fracasso da sua OPA, continua com o ignorar das revoltas com a democracia podre em que vivemos em todos os países e locais onde não existam manifestações violentas (na Grécia, portanto). As notícias são poucas, mal explicadas, reduzidas a efemérides e cheias de incorrecções. Terão os media, portugueses e não só, receio de dar ideias aos povos dos seus países? Se sim, quem tal lho pediu?
Em Espanha, a polícia infiltra-se entre os manifestantes para os incitar à violência (sucedeu em Barcelona, no dia do bloqueio ao parlamento). Por cá, passou uma notícia (em rodapé, quase), anunciando que o movimento 15-M perde popularidade por se ter tornado violento. Hoje, foi publicada esta notícia no Publico Online. Atente-se na notícia de que as manifestações se espalham por todo o continente. PArece-me tema para encher todos os canais de notícias e para se convocarem debates, comentários & etc. Então porque tenho ouvido mais acerca do interesse do Inter em Villas-Boas do que neste assunto?
Em Espanha, o El País parece ser uma excepção à cegueira total. Afinal, há quem tenha reconhecido uma farsa. Há pelo menos um jornalista que não se deixa iludir. Veja-se esta notícia.
Já agora, veja-se também o filme onde se compova esta farsa:
O que está a acontecer ao mundo dito democrático? Porque motivo estamos a deixar que isto nos aconteça?
A sorte dos povos ocidentais, contudo, é que a globalização e a tecnologia trouxeram a grande vantagem de se poder, agora, captar, partilhar e comentar notícias sem ter que pedir licença e, felizmente, sem ter que apresentar carteira de jornalista profissional.
Aproveitemos também para obter alguns esclarecimentos sobre o movimentos dos "indignados", pelas palavras do economista catalão José Luis Sampedro:
E para terminar: que merda é esta do Pacto do Euro e porque não está na ordem do dia cá na aldeia?
...eis a questão. Depois da crise de 2007, que reformas foram efectivamente feitas na economia de mercado (vulgo, "capitalismo"; vulgo "liberalismo"). Zero. Após um ano de FMI a Grécia está pior. Para que serviram os grandes economistas e gestores? Nada. O que aconteceu à Islândia e à Irlanda, esses grandes modelos capitalistas? O descalabro total. Afinal vamos ter uma nova crise em 2013, diz o economista que previu a de 2007. Fantástico - Marx já tinha previsto o acumular de crises até à ruptura final do capitalismo, ainda antes de meados do século XIX! Afinal enganei-me, parece-me que houve um economista que foi, efectivamente, capaz de debitar informação original. Pena que esteja morto.
Vejamos se ficou claro:
1) os alemães não sabem lavar os legumes.
2) sem qualquer conhecimento de causa ou facto que lhe pudesse servir de sustento, os alemães (autoridade e comunidade civil) apressam-se a fazer cair as culpas do surto de Escherichia coli sobre os agricultores espanhóis, sendo Espanha um país, já por si, em grandes dificuldades sociais e económicas.
3) afinal o problema advém dos rebentos de soja cultivados numa quinta alemã.
4) os alemães pouco lamentam, dizem que a quinta teve "pouca sorte, apenas" e mais nada.
5) a UE, entenda-se, os contribuintes europeus que paguem o erro, a xenofobia e a incompetência geral demonstrada nesta situação.
Porque tenho eu, entre outros, que pagar por isto, afinal? Talvez fosse mais útil para a UE atacar este tipo de mentalidade onde mais dói: no bolso dos alemães.
Um jornalista da TVI (salvo erro) pergunta a uma menina que festeja na rua com uma bandeira do PSD:
"Festeja a vitória do PSD?"
"Festejo principalmente a derrota do Sócrates."
"Mas festeja, então, a vitória do PSD?"
"Por acaso até votei no Passos Coelho mas estou a festejar a saída do Sócrates."
E penso que tudo está bem resumido.
E agora, uma música dedicada ao Grande Coelho Laranja, reflectindo os sinceros desejos de sucesso para a sua governação (com o Sr. Portas como esposa política).
...na Itália de Berlusconi.
Uma iniciativa do maestro Riccardo Muti, durante uma representação da ópera Nabucco, de Verdi, cujo coro dos escravos hebreus foi sempre considerado um hino patriótico italiano já que, quando foi pela primeira vez representado ao público, uma boa parte da Itália do norte ainda se encontrava em poder Austro-Húngaro.
va', pensiero, sull'ali dorate.
va', ti posa sui clivi, sui colli,
ove olezzano tepide e molli
l'aure dolci del suolo natal!
del Giordano le rive saluta,
di Sionne le torri atterrate.
o mia Patria, sì bella e perduta!
o membranza sì cara e fatal!
arpa d'or dei fatidici vati,
perché muta dal salice pendi?
le memorie del petto riaccendi,
ci favella del tempo che fu!
o simile di Solima ai fati,
traggi un suono di crudo lamento;
o t'ispiri il Signore un concento
che ne infonda al patire virtù
che ne infonda al patire virtù
al patire virtù!
pedidos vários para domingo:
1) votem! Não deixem que outros decidam por vocês. O argumento "ha, e tal, são todos iguais" é a desculpa dos acéfalos e dos carneiros.
2) estamos em plena crise mundial causada por décadas e décadas de liberalismo selvagem. Não é boa ideia enfiá-los no governo de cá. Povo: votemos à esquerda, porra.
3) não coloquem os sacos de lixo à porta porque, sendo domingo, não há recolha. Com este calor rapidamente começam a deitar cheiro, o que é algo que me aborrece.
Pois é, a acreditar nas sondagens, Portugal vai guinar, forte e feio, à direita, já no domingo.
Será possível que os portugueses vão colocar no poder a mesma mentalidade (não arriscarei usar a palavra ideologia aqui, pois o partido que lidera as sondagens não a tem, nem nunca a teve) que causou a crise de 2007? A mesma mentalidade que gere esta triste Europa há anos? Será que é preciso remlembrar que as Merkels, os Sarkozys, os Berlusconis e muitos, muitos outros, não são exactamente socialistas? Será que é preciso relembrar que aqueles que não foram, nem são (nem serão) afectados pela crise ou quaisquer medidas de austeridade, como os Pintos-Balsemões, os Espíritos-Santos e outros, não são são propriamente Marxistas-Leninistas?
A culpa é do Sócrates? De quê? Da gripe das aves? Do Tsunami no Japão? Da crise do sub-prime? De ser um tipo arrogante e pouco elegante de palavras, sim. De ter feito pouca frente aos boys do PS, sim. E de ter criado as Novas Oportunidades? E o investimento em ciência, nulo no tempo dos Cavacos, Flopes & afins? De ter investido na cultura? Querem, aliás, uma amostra do que se tem feito nos últimos tempos neste campo, recomendo que assistam ao Festival ao Largo, em Lisboa, todo o mês de Julho. Será o último, certamente. Distribuir computadores aos miúdos é mau? E o rendimento de insersão social também? E já agora, recuando um pouco, foi mau o Porto 2001? Serralves? A Casa da Música? O Euro 2004? A Expo 98? Tudo acontecimentos que os conta-tostões do PSD sempre criticaram mas que nos colocaram no mapa da existência (o que atrai verdadeiro investimento vindo do estrangeiro, de que tanto precisamos) depois de 50 anos de Estado Novo e 10 anos de Cavaco nos terem remetido para o obscurantismo social, político e económico.
Todos se regozijam com a queda do governo, como uma espécie de Abril dos tontos: a direita anseia pelo poleiro, a triste esquerda que temos irá estar no seu palco preferido: o jogo do bate-pé à direita. Chiquérrimo ser um antifascista do pós-25 de Abril.
O PS vai perder porque os media assim o ditaram desde que um tal de Belmiro de Azevedo se aborreceu por causa de uma certa OPA falhada. Desde aí tem sido o descalabro. Lamento dizê-lo, mas os Gato Fedorento deram mais votos ao PSD que todos os seus líderes juntos conseguiram angariar desde o tempo do Toneca Guterres.
Será possível? Termos precários a votar na direita? E estudantes do regime das Novas Oportunidades? E cientistas?
É muito, muito triste.
"como cegos, à beira de um barranco"
Torna-se cada vez mais evidente que o debate político ganha contornos futebolísticos. Fala-se de "esquerda" e "direita" como se se falasse de "Porto" e "Benfica" ou "Benfica" e "Sporting". Etc. De um lado temos os "vermelhos" que, convenhamos, pouco ou nada mais têm apresentado do que demagogia e repetitivismo. Do outro lado temos os neo-liberais, a direita política e social, que parece basear os seus argumentos em tudo menos nos factos, na história e na simples aritmética. Aparentemente, será esta gente que os portugueses irão eleger para o próximo governo, tal como muitos outros europeus antes o fizeram. Ou não.
O problema de Portugal não é apenas um problema de Portugal. A globalização assim o dita. O problema é mundial e está enraizado na própria essência do neo-liberalismo: o laissez-faire, o individualismo, a ganância, a riqueza imediata, todos conceitos-pilar de um sistema económico sem hipótese de futuro mas, admitamos, atraente para a grande maioria da população humana.
Para os economistas liberais, dois mais dois não são quatro. Podem ser cinco. Ou mesmo seis. Ou talvez três ou zero se os mercados assim o entenderem. Quando forem menos que quatro, o problema resolve-se pedindo crédito. A assim rebentou a bolha do sub-prime: mais de meio século da imposição dessa ilusão que é o american dream ao proletariado: tenha uma casa enorme, uma piscina, consolas para os putos, mude de carro todos os anos, vista roupa de marca. Não o pode pagar? Não faz mal. Aceitamos crédito.
Há que admitir mérito na estratégia neo-liberal. Ao invés de reformar o capitalismo e de devolver a esse mercado que o mantém realmente a funcionar - a classe média - a riqueza que tem vindo (e continua) a ser acumulada por muito poucos pelo mundo fora. Acumulada por drenagem, literalmente da classe trabalhadora. Pois. Dois mais dois continuam a ser quatro e o dinheiro não cresce nas árvores: se entre duas pessoas existirem duas moedas, para que uma tenha duas a outra tem zero. Simples. Um economista diria que não mas também, os economistas são os tipos que ganham prémios-nobel por introduzirem o comércio da poluição.
Poder-se-ia introduzir um sistema de reformas que refreasse a oferta de crédito ao desbarato, a especulação financeira e o apelo ao consumismo desmesurado, entre outras medidas. Nada foi feito por se tratarem de conceitos avessos ao laissez-faire. Poder-se-ia obrigar os muitos ricos a pagarem impostos a valer sobre as suas desmesuradas fortunas. Como alternativa, investir em actividades que criassem verdadeiros postos de trabalho, a troco de regalias fiscais. Nem pensar. O bolso é o órgão onde mais lhes dói. Em Portugal, estamos há demasiado tempo dependentes da mesma economia corporativista que governava a Outra Senhora. Sim, é verdade, Belmiros, Champalimauds e muitos outros já se sentavam à mesa do Estado-Novo. Mas a culpa é dos portugueses que são pouco produtivos. A culpa é dos impostos. A culpa é do estado. A culpa é to Sócras. A culpa é da CGD. A culpa é dos sindicatos. A culpa é do Trocas-te. A culpa é dos cabrões que querem ter ordenados mínimos, contratos de trabalho, despedimentos com justa causa e indemnizações e outros conceitos totalmente avessos ao ideal empreendedorista neo-liberal, sempre atreito a ao lucro fácil e imediato mas nunca à noção de que, espremendo a classe média, acaba-se a economia de mercado porque deixa de haver poder de compra. Afinal tudo se resume a uma linha: a classe trabalhadora que alombe com a austeridade para que os ricos continuem a enriquecer.
É isto.
E apenas isto.
Dúvidas? Foram publicadas recentemente as listas dos mais ricos do mundo - lá estão todos e mais ricos ainda. Afinal, quem se fodeu (desculpem a expressão) com a crise iniciada em 2007?
Elejamos, portanto, o Grande Coelho Laranja para novo líder de um barco a afundar-se com o peso, não do estado, mas do liberalismo. Engulamos as falácias capitalistas de austeridade, entreguemos os direitos pelos quais lutamos há tanto tempo. Escutemo-lo a apresentar o seu programa eleitoral ultra-liberal a prometer mais austeridade do que o próprio FMI considera necessário. Deleitemo-nos a tentar explicar porque é que os portugueses deviam pagar, e bem, pela saúde privatizada, esse direito essencial para quem o pode pagar, entre outras medidas similares. Isto ajuda o capitalismo? Como é que tal sucederá com mais uma machadada no poder de compra da classe média? Ouçamos este betinho de Massamá divagar sobre as Novas Oportunidades, chamando a este alunos de medíocres, quando ele próprio tirou o seu curso (em oito anos, consta) em que universidade? Lusófona? Do Atlântico? Quem é este fantoche de ricos e poderosos, afinal? Mas quem é este indivíduo, afinal? Quem são os tipos que o seguem? Quem são os titeteiros atrás dele? Já agora, quem são estes comentadores políticos, economistas de treta, jornalistas e outros bardamerdas que tal, que de cada vez que abrem a boca ajudam a enterrar o meu país no lodaçal da especulação financeira internacional? Quem são estes gajos a quem não reconheço mais inteligência, clarividência, conhecimento ou seja o que for, do que a mim próprio, para governar um país, modificar mentalidades ou impôr candidatos?
Meus caros, o neo-liberalismo terá, quanto muito mais dez anos de vida. É inevitável: todo o mundo capitalista flutua sobre riqueza que não detém para que muito poucas famílias se possam continuar a sentar no topo do mundo. Tudo o resto, com a vossa licença, é conversa de merda.
Pois é, aparentemente, há vários dias que se amontoava uma enorme pilha de lixo na Praça Catalunha. De acordo com os responsáveis pela higiene urbana, a maior parte deste lixo era constituído por um tipo de dejecto nefando intitulado de "pessoas".
A polícia local, os "Mossos D'Esquadra", conseguiu remover tal imundície bastonando os indesejáveis, divididos por classes como "jovens", "idosos" e "famílias", entre outros. Segundo o cacique local, há que limpar o local para os festejos da vitória do Barça sobre o Man United, a suceder não sei bem quando.
Ainda bem, assim sempre se evita a disseminação de maleitas potencialmente pandémicas como "pensar" e "protestar".
Veja-se, por exemplo, aqui.
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O Grande Coelho Laranja continua a sua extradinária saga com o intuito de, em simultâneo, reaver os votos entretanto perdidos para o CDS e colocar o Paulinho das Feiras no seu devido lugar, indivíduo este que muito empinado tem trazido o nariz, pois bem sabe que o GCL precisa bem mais dele do que o oposto, na verdade. Para quem tem seguido as notícias de hoje certamente reparou no insólita de ver o GCL alternar entre a defesa da liberalização do aborto e o "ha e tal, podemos rever isso e o catano..." ou então "nós, referendar não, mas se houver um movimento popular..." E mais não sei o quê (e o camandro).
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Percebe-se bem, claro: há que papar votos do CDS e manter a vaga componente social democrata que ainda existe no PSD a seu lado, ou pelo menos não chatear (a começar pela Paula Teixeira Pinto, a pessoa desse partido que consegue demonstrar cérebro porque tem, de facto, cérebro para demonstrar).
Gostaria que o senhor Coelho me indicasse o nome de alguns prémios Nobel em ciência que tivessem desenvolvido o trabalho pelo qual foram laureados sendo financiados por empresas.
É que assim de repente, de repente, não me lembro de algum...
O Grande Coelho Laranja já anunciou que vai retirar financiamento à ciência, a começar pelos post-docs que têm o seu lugar, sic, é nas empresas. Esquece-seeste senhor que as empresas não fazem investigação fundamental porque não dá lucro e mesmo a maior parte da investigação aplicada é feita em universidades e laboratórios do estado. Quanto muito, algumas (poucas, principalmente por cá) pegam no conhecimento produzido, nessas pequenas e pequenas peças de ciência e aplicam-no em algo que possa ser comercializável. Exemplo: farmacêutica. Explicar a este indivíduo e seus semelhantes de cor o que é ciência é inútil e cansativo porque não lhe(s) reconheço capacidade de apreensão e compreensão para tal mas possa dar um um exemplo: a descoberta da dupla hélice de DNA não foi exactamente patrocinada pela Coca-Cola. Abramos um telemóvel: as peças são concebidas e criadas por uma empresa mas a ciência fundamental atrás do seu financiamente foi, garanto absolutamente, financiada por um estado qualquer e produzida por miríades de investigadores, a maior parte deles anónimos e precários. E Portugal e por esse mundo fora - até nos ultra-liberais EUA.
Os investigadores pós-doutorados e os estudantes de doutoramento são, efectivamente, a força motriz do conhecimento científico no mundo inteiro. Esta alimária, na falta de melhor nome, quer acabar com eles? Comigo, pois encontrom-me nesta situação? Muito bem. E quem vai produzir conhecimento? Talvez o próprio betinho de Massamá. Talvez esse devesse trocar de lugar com um de nós por uns meses, por um ano ou dois. Passar-lhe-ia o neo-liberalismo assim que experimentasse pedir um empréstimo para uma casa, concorrer a uma bolsa, ver um cargo recusado por sobre-formação académica ou ver os medíocres ocuparem todos os belos tachos na função pública enquanto tipos com valor não passam de bolseiros pós-docs: sem férias, sem 13º e muito menos 14º mês, sem direito a subsídio de desemprego, sem ver a sua carreira oficialmente reconhecida como tal. Mas pelo menos temos tido oportunidade de trabalhar! E como trabalhamos - A produção científica em Portugal, muitos desconhecê-lo-ão está entre as melhores das melhores.
E não há problema. Nós até ficamos felizes com a nossa bolsa paga por fundos públicos e da União: assim podemos produzir ciência, publicá-la e, passinho a passinho, fazer alguma coisa pela humanidade. Assim têm feito todos os que se dedicam à Ciência desde que a Humanidade aprendeu a pensar. Assim se tem conseguido fazer com que os idiotas deste mundo tenham mais quarenta anos de esperança média de vida comparativamente aos idiotas da Idade Média. Talvez um dia o Grande Coelho Laranja e os acéfalos que o seguem, quando tomarem um medicamento, quando utilizarem um electrodoméstico, conduzirem um veículo ou pensarem porque motivo o DDT foi proibido se lembrem de que existe uma massa anónima de gajos a trabalhar para eles por pouco dinheiro, muito esforço, nulo reconhecimento e sem lucro ou hipótese de tal - financiados pelos contribuintes a quem efectivamente servimos - os mesmos que vão colocar esta escumalha neo-liberal no poder?...
...por mim tudo bem, ainda bem que lhe limparam o sarampo mas... no meio de tanta superpotência não se arranjaria uma montagenzita menos foleira?...
... da esquerda à direita do parlamento... tudo sorrisos de felicidade - uns porque brincam às revoluções, outros porque lhes cheirou o poder. Da esquerda à direita do parlamento, no dia em que o governo caiu, os que elegemos como oposição deixaram-nos nas mãos do FMI, do BCE, da fräu Merkel e merceeiros do mesmo calibre; enfim, de mais austeridade sobre as classes média e baixa. Fizeram-no por três motivos apenas: o politiqueirismo, o populismo e pela fome de poder. Até a esquerda, com a qual o próprio autor desta merda de blog supostamente se deveria identificar, sempre tão afoita de apregoar o melhor interesse pelos portugueses, não hesitou em nos entregar ao descalabro. Para quê, afinal?
Ficámos melhor? Não.
Ficaremos melhor? Não.
...excepto, avaliando pelas sondagens, quem militar no laranjal...
É isto.
É exactamente isto que sente o rasca do autor deste blog e que já sentia no dia da manifestação, sentimento provavelmente partilhado por outras poucas centenas de milhar de rascas, à rascas e à rasquinhas.
Parece que o grande apartidário, anti-sistema, não-político e etc., Nobre se decidiu juntar às hostes do PSD. Não há palavras para descrever a desilusão ou mesmo, direi, a repulsa.
Não me surpreende, no fundo. Não obstante o seu admirável trabalho na AMI, a sua falta de ideologia regressou à classe social de origem.
É desesperante abrir um jornal, ligar a televisão ou escutar as notícias da rádio, para não mencionar a Internet, onde se assanham os neo-liberais e a sua (ausente) argumentação que não supera em conteúdo e complexidade o conjunto de caretas elaboradas pelo laranjinha de serviço no Eixo do Mal (não o playboy da linha, o outro, com menos cabelo). As desilusões sucedem-se e delas sobra apenas uma palavra: o asco.
Afinal, parece que o governo caiu, o FMI entrou e que o povo português vai pagar ainda mais a crise. Porquê?
Ora vejamos:
1) o Coelho Laranja disse em primeiro lugar que o PEC IV era muito mau para o, já de si bastamente massacrado, Zé Povinho. Falso. Disse ele depois que, afinal, o PEC não só é bonzito como ainda vai implementar ainda mais austeridade, ao gosto do FMI.
2) O Coelho Laranja disse estar muito ofendido porque o Sócrates nada lhe tinha dito sobre o PEC IV antes de o apresentar à Europa. Falso. Afinal, foi chamado a São Bento para o efeito.
Fantástico!
O PSD ainda nem ganhou eleições e já mente descaradamente aos portugueses. Isto, meus caros, é puro talento.
E porque não nos jornais de cá?
Vale a pena ler este artigo de Mário Soares, entre outras coisas sobre a frau Merkel, cá referido pelo Económico.
Para quê, afinal, eis a questão. Logo a seguir à telenovela do PEC IV, o PSD já assumiu perante a UE que o vai cumprir e que está disposto a adicionar mais medidas ainda. Foi para isto que, com a plácida (mas calculada) conivência dos partidos ditos "de esquerda" do parlamento, se deixou o país à mercê do FMI, do BCE e dos especuladores? Foi para isto que as agências de rating (que um dia gostaria que me explicassem exactamente quem são e a serviço de quem) nos pregaram mais um prego no caixão? Eu, e todos os que se deram a esse trabalho, ouvi o senhor Coelho a criticar o PEC IV pela abusiva austeridade que irá impôr aos portugueses. Pelos vistos, esse discurso durou até à demissão do governo. Antes, contudo, já tinha assistido à senhora Ferreira Leite dirigir-se ao Parlamento dizendo que "estas medidas" podem não ser más "nas mãos de outro governo" que "inspire mais confiança". Confiança a quem e porquê?
Parece-me que os portugueses não entenderam, ou não querem entender, o que realmente está em jogo. O laranjal quer o FMI. Quere-o porque é o pretexto perfeito para a aplicação das medidas que há muito almejam: extinguir os serviços públicos e transformá-los em negócios, aumentar ainda mais a precariedade dos trabalhadores em nome da competitividade (já se falou em contratos "orais", baixar o ordenado mínimo, acabar com o 13º mês, facilitar os despedimentos) e aumentar o IVA. Juntem-se mais algumas medidas inevitáveis a que o FMI nos vai obrigar, como por exemplo obrigar os bancos a dificultar o acesso ao crédito, em nome da saúde da banca (imagine-se o resultado para as pequenas é médias empresas e para o português comum).
A avaliar pelas sondagens com que o jornaleirismo sabujo prontamente nos prendou logo a seguir à demissão do PM, penso que pelo menos metade de nós ainda não percebeu que a qualidade de vida que ainda tem vai desaparecer dentro de um ano ou menos. A curto prazo, acabou-se o carrinho novo, o sofá a crédito e o T3 em Loures. Acabaram-se as feriazinhas na Caparica, o ecrã de plasma e a televisão por cabo com os suplementares canais de desporto. A médio prazo, acabou-se o pão na mesa. Talvez então entendamos.
A culpa é do Sócrates? Não, a culpa é nossa; principalmente dos que têm saudades de Salazar porque nesses tempos pouco se pensava, com o pretexto de que era proibido.
. a falácia das privatizaçõ...
. os abutres e as alforreca...
. o princípio do fim da dem...



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