Domingo, 6 de Maio de 2012
...vive la France...

...et à quoi bon?...

 

Pois muito bem, pela minha parte, sempre temos uma notícia boa no meio desta espécie de idade das trevas da mediocracia. A pergunta que aqui deixo (propositadamente em francês, apenas que que fique claro o elevadíssimo valor intelectual do autor), tem, no entanto, razão de ser.

 

Para a batalha franco-alemã que se avizinha, Hollande tem, à partida, uma grande desvantagem do seu lado: é francês. E o último francês a levar a melhor sobre um alemão nem sequer era bem francês mas sim um corso. O meu pessimismo pós-realista, em guerra feroz com o positivismo humanista, conseguiu no passado Primeiro de Maio, atravessar essa zona desmilitarizada que é corpo caloso e agora ocupa ambos os hemisférios cerebrais, pelo que, sou dado a pensar que entre o chauvin franciú e o nacional-capitalismo que caracteriza todo e qualquer político saído da antiga Europa de leste, dez vez pior sendo alemão, quem se vai tramar é esse mexilhão chamado Europa.

 

Talvez a melhor notícia do dia venha da Grécia: não pela subida dos greco-nazis (cuja mera definição faz tanto sentido quanto um vegan canibal) mas porque aqueles tipos, na sua postura mediterrânica perceberam que não se entendem, nem se vão entender e provavelmente nem o querem. Se a Grécia se transformar em rastilho, talvez assistamos ao nascimento de algo democraticamente diferente, ou anarca (extrema direita não creio...), pois é claro que os gregos estão fartos - de tudo e de todos e acima de tudo de partidos envelhecidos e institucionalizados que, como em todo o lado, nada fazem nem sabem como (nem o fariam se soubessem) para resolver os verdadeiros problemas dos povos. Talvez os gregos sejam os primeiros a perceber que precisamos de uma verdadeira democracia - pela segunda vez na história da humanidade - pelo que a que temos precisa de ser melhorada, afastada de políticos de merda, de corruptos, de tecnocratas, de medíocres em geral, e, acima de tudo, desse cancro que tudo corrói chamado capitalismo. E não me parece que o senhor Hollande detenha este tipo de clarividência.



publicado por Harpad às 22:18
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Sábado, 5 de Maio de 2012
puro empreendedorismo

Ainda sobre o Pingo Doce, há que salientar que podemos estar na presença um de dois recorrentes fenómenos da lógica capitalista: ou o grupo do SDS praticou dumping, o que constitui (ainda) uma crime punível pela lei portuguesa, ou (tcha-rããã!) detém, tal como os restantes hipers, margens de lucro brutais. 

 

Aparentemente, exceptuado quatro (!) produtos, o grupo do SDS tem, de facto, margens de lucro que chegam a rondar os 80%, o que constitui, efectivamente, uma prova indelével da ética capitalista, aprovada, apoiada e propagandeada pela ideologia neo-liberal. Eis, portanto um "vencedor".

 

Num mundo melhor, sem tanto empreendedorismo (adoro esta palavra!) capitalista, portanto, utópico, ridículo, retrógrado e essas coisas todas, essa margem de lucro seria reduzida para que os produtores pudessem receber mais pelos seus produtos e ainda sobraria boa margem para que os clientes finais pagassem menos por eles. 

 

...sem falar de pagar dignamente aos seus empregados, sobre os ombros dos quais este tipo e a sua família sustentam a sua enorme riqueza...



publicado por Harpad às 03:42
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Sexta-feira, 4 de Maio de 2012
doces carneiros

Ao contrário do que muito se discute nos dias de hoje, creio que a famosa iniciativa de promoções empreendida pelo Pingo Doce no passado 1º de Maio foi um acontecimento bastante positivo, pois fez incidir sobre nós, povo, a magnânime luz da realidade. Em primeiro lugar, há que louvar o próprio Soares dos Santos (SDS), ou quem quer que da sua esfera de doutos pensadores, pela brilhande ideia de realizar o evento nesse preciso dia. Num outro dia dia qualquer seria simplesmente acusado de "dumping". Assim, conseguiu, ao mesmo tempo, irritar o Belmiro, agrilhoar os seus trabalhadores (perdão, colaboradores, que isso de "trabalhar" é feio) e transformar a celebração do dia do trabalhador numa patacoada que, às costas dos jornaleiros do costume (sim, leram bem), reduziu as notícias do dia (e seguintes) à promoção de uma cadeia de lojas. Conseguiu até fazer com que os deputados se sentissem livres para discutir contas de supermercado na Assembleia da República quando, anteriormente, o pudor lhes permitia apenas passar as manhãs a rabiscar a lista de legumes, acepipes e champô para a caspa, a levar para casa no fim do dia (antes escrevia-se a lista de compras num pedaço de cartão rasgado de um maço de SG Gigante, hoje os deputados podem até tuitár sobre a promoção de fraldas para incontinentes do Pão de Açúcar).

 

No entanto, O SDS, conseguiu mais, muito mais do que reduzir o dia do trabalhador a publicidade gratuita à cadeia de supermercados a que preside. Conseguiu demonstrar que o dia que marca a luta dos trabalhadores pelos seus direitos de nada vale. Salazar nunca conseguiiu tanto: limitou-se a proibir a coisa. O SDS conseguiu ridicularizá-la. Conseguiu demonstrar que os portugueses, esses pobrezinhos, coitaditos, não passam de carneiros de que elites dispõem como entendem. Este é tembém é o tipo que não há muito tempo queria criar cursos (pagos do seu próprio bolso... o mãos largas!) para ensinar os seus "colaboradores" a gerirem os seus ordenados humilhantes.

 

Agora imaginemos o seguinte: cem euros representa uma boa soma, demasiado grande para os bolsos dos verdadeiramente necessitados. Seguramente muitos destes não poderão dispender tanto dinheiro de uma só vez. Quem terão sido, então, os principais clientes do SDS no primeiro de Maio? Em boa parte, talvez uma classe média com medo do amanhã. Talvez. Mas das lojas voram também garrafas de bebidas espirituosas. Muitos clientes admitiram que gastaram ali muito mais dinheiro do que alguma vez pensariam e boa parte em merdices que pouca falta lhes fazem. O que aconteceu, então? Simples: mais uma vez, lá foram os carneiros armados em xicos-espertos, para onde os mandou o pastor. 

 

Promoções? Méééé. Austeridade inevitável? Méééé. A culpa é do Sócrates? Méééé. Fio dental extra encerado com efeito branqueador agora apenas a um euro e noventa e nove? Méééé.

 

Aquilo que o SDS fez foi medíocre, pensado por um medíocre para outros medíocres. O governo da santíssima trindade Portas-Coelho-Relvas (PCR) não compreende o exagero: afinal é uma estratégia de negócio perfeitamente limpa. E é. Tal como a agiotagem do FMI, tal como as negociatas com activos tóxicos (lembram-se, despoletou esta crise -  não a dívida soberana), tal como pagar odenados de treta, tal como mover sedes para paraísos fiscais, tal como comprar um jacto para uso particular mas facturá-lo à empresa para fugir aos impostos. Tudo isto é legítimo. Tudo isto é medíocre. Tudo isto é Capitalismo e, convenhamos, o Capitalismo assenta muito muito bem aos carneiros.



publicado por Harpad às 00:16
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Terça-feira, 1 de Maio de 2012
A era da estupidez - 3

E o nosso coelho-ministro vai acumulando afirmações que ficarão guardadas nos anis da História. E a de hoje é: os portugueses têm de se habituar a níveis de desemprego a que não estão habituados.

 

Magnífica frase para um Primeiro de Maio.

 

Depois do célebre conselho enviados aos portugueses ("emigrem"), eis, portanto, mais uma indiscutível prova de que este indivíduo conseguiu "corajosamente" (sic) ir mais além do que a simples desistência de governar o país: conseguiu demonstrar que se está, efectivamente, borrifando para esse propósito (e que sempre esteve). Afinal, o laranjame já tem o que quer: tachos, PPPs à maneira e agradar àqueles que têm contas a fazer com os direitos conquistados por Abril.

 

Com a vossa licença, puta que pariu.



publicado por Harpad às 22:04
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 25 de Abril de 2012
um 25 de abril para reflectir

Reflictamos, hoje, já que se trata de uma actividade a que pouco nos dedicamos nos restantes dias. Deixo aqui uma dica. A RTP 2, na sua rúbrica excelente, "Dia D", dedicada a uma série de brilhantes documentários sobre o 25 de abril, exibiu na madrugada passada (lamento apenas a hora tardia) este brilhante documentário ("Os Donos de Portugal") sobre as poucas famílias a quem Portugal efectivamente pertence, da autoria de Jorge Costa. Numa altura em que o raciocínio ideológico não parece conseguir sair do terreno de (des)culpabilizações em que tanto a crise quanto a peste negra e mais as derrotas das nossas equipas de futebol são culpa do Trócas; vale a pena pensar se a luta de classes é realmente coisa do passado e se a democracia será, ainda que vagamente, compatível com o lamacento mundo do capital. Pode-se consultar mais alguma informação sobre este documentário neste artigo do Público.

 

Aproveito também para perguntar ao senhor Relvas (vocês sabem, o Primeiro Ministro, o outro é apenas um Coelho-Ministro) se este tipo de documentários passaria numa RTP2 privatizada.



publicado por Harpad às 23:42
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Sábado, 14 de Abril de 2012
(des)investimento em ciência

Quando conceitos catitas como "empreendedorismo", "défice" e "troika" estão na ordem do dia e se infiltram no mundo da ciência, o resultado matemático da sua junção é o desinvestimento na investigação fundamental e entrega da investigação aplicada ao milagre do financiamento privado que, mesmo que exista (no nosso país, quase nada), não é sensível ao tempo, esforço e método em geral que determina o avanço da ciência. Desconhecem os políticos, empresários e público em geral que a grande maioria do conhecimento de que dependem tantas e tantas coisas no nosso dia a dia tem como base o trabalho árduo de uns poucos indivíduos fechados em laboratórios, mal pagos, explorados e esquecidos e que se dedicaram (por vezes toda a sua vida) a criar conhecimento aparentemente "inútil" para o mundo capitalista (entenda-se, sem comercialização imediata). Lembremo-nos da dupla hélice. Ou da tabela periódica. Ou da estrutura de um átomo. Ou do papel da flavina adenina dinucleótido. Este conhecimento fundamental, no entanto, integrado anos e décadas mais tarde com outras descobertas (algumas de dimensão aparentemente irrisória) e novas técnicas permitiu que hoje tenhamos medicina molecular, que não matemos os piolhos dos nossos filhos com DDT, que tagarelemos sem parar usando telemóveis e que tenhamos veículos mais ou menos ecológicos que se recusam a andar se nos esquecermos do cinto de segurança e de lavar os dentes. 

 



publicado por Harpad às 18:38
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 11 de Abril de 2012
A era da estupidez - 2

... sacanas!... e não é que esta canalha quer viver mais do que recomenda o FMI?...

 

De acordo com o El País, 'El FMI pide bajar pensiones por "el riesgo de que la gente viva más de lo esperado".'

 

não pode ser não pode não pode não pode não pode não pode não pode não pode não pode não não não não pode ser não pode não é possível não pode não pode

 

não                                                  NÃO

 

po                      PO                                     DE

 

de                                     

                                           SER                                      !!!

ser

 

 

Mein Gott!

 

боже мой!

 

Mon Dieu!

 

Oh my God!

 

Dios mio!

 

Valha-nos Cristo!

 

Ω Θεέ μου!



publicado por Harpad às 23:05
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Quinta-feira, 5 de Abril de 2012
circo
e o ceú pariu um número
os padrecos querem vê-lo no rebanho
a polícia deu-lhe uma bastonada pelosimpelonão
governo e sindicatos dizem que é diferente
gente numa assembleia que só lá está para fazer número
não sabedoquesetrata
e os jornais cheios de séria gente de negócios
que posa de braços cruzados e meio sorriso na boca
e que falam de números e de terras
que não conhecem como se fossem números
e de números que são pessoas e de
pessoas que afinal não passam de números
e que estão contentes por serem números mesmo
que lhes tirem uns quantos zeros porque afinal
doisedoisnãosão quatro são o que os senhores e
senhoras de braços cruzados nos jornais dizem
e há quem seja um número de revista
uma boneca de plástico sem sítio na cabeça onde
colocar tanto ou tãopouco número que dizem que tem
os números certos para quem não sei
e há quem apareça porque tem uma data de letras no nome
mais do que tu mais do que eu e quem
seja capa de revista porque é uma vaca que pariu
uma data de vitelos alimentados por um senhor
que apareceu num jornal de braços cruzados e
mais quem tenha aumentado as tetas duas vezes
e há quem tinha a v i d a feita num número de circo
e
resumida a um número numa fila de espera para que lhe
digam que não há trabalho
assim dizem os números
mudedevocação
e agora fazes parte de mais um número
e chegas a casa e não há pão em número que chegue
e as contas têm demasiados algarismos
será que na casa dos senhores de braços cruzados e sorriso
de triunfo se passa o mesmo
divorcias-te e passas para uma outra lista de números
por favor morre não adoeças que lá vêm mais números
nem envelheças não aumentes esse número mais morto
que os mortos ninguém quer esperar que os velhos morram
num banco de jardim
não sejas jovem não sejas adulto
sê um número
e números e números e números
tivesse eu ao menos os números certos para poder aparecer
em capas de jornais e revista
e não precisaria de fazer tantas contas

mas acautela-te
tal como aprendi num banco de escola
diante de números que pouco me diziam
quantas vezes tremeu o homem do leme
e novevezesdoisdezoito
e doismaisdois são mesmo quatro
nada vezes nada continua a ser nada
e eu estou farto de nada
e quero que tefodasfodasfodas três vezes
 
Harpad 2012

tags: ,

publicado por Harpad às 20:17
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Quinta-feira, 29 de Março de 2012
A era da estupidez - 1

O meu grande objectivo, de hoje em diante, será registar os inúmeros episódios de óbvia falta de inteligência que assola esta nosso admirável mundo (que nem por isso traz algo de novo). Espero um dia ser reconhecido (caso a humanidade sobreviva a esta hecatombe) por esta hercúlea tarefa. Serei um Zurara da mediocridade e a História far-me-á justiça, pois sem um cronista deste tema, jamais alguém acreditaria que isto aconteceu na realidade.

 

 

Aqui fica a amostra de hoje:

 

 

"[Cabe à PSP] acompanhar e analisar as notícias produzidas pelos órgãos de comunicação social e, consoante os assuntos noticiados, encaminhá-las para os competentes órgãos da PSP, sugerindo estratégias de combate às menos positivas." Fonte: Público.

 

 

Interpretem este excelente pedaço de literatura democrática como entenderem. Para onde quer que atire, é estúpido.



publicado por Harpad às 22:50
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Sábado, 31 de Dezembro de 2011
XXI European Manifesto

At the very beginning of a brand new millennium Europe is leaving behind almost three thousand years of history that gave birth and rise to the so-called Western Civilization and is now facing its definitive fall as an international reference. At the dawn of the twenty-first century we are now witnessing the definitive humiliation of Greece, mother of our civilization, followed by Italy, its second pillar, Portugal and Spain, the first overseas empires of the contemporary world. Others will follow at the hands of bureaucrats and technocrats and the ones they serve, namely old bourgeois families, remnants of old aristocrats, new local millionaires that made fortunes by every dubious mean and, most importantly, the yuppies to whom people, land and nation are nothing but collateral damage of their addiction to making millions.

 

Unlike what has been taught at schools, there were no winners or losers left in Europe after both World Wars. Europe lost. After centuries of foolish nationalisms, religious fundamentalisms, dictatorships, prejudice of all sort and, above all, fierce imperialism, Europe had lost its identity and its role in the World. However, our present leaders still insist to see Europe as a quilt made of unrelated patches, each regarding its neighbour as a vessel to draw money from and thus allegiances are made and lost to honour the most obscure benefits. In the process, Europeans were forgotten and are formatted to look at history as a succession of empires and the conflicts between them. As a result, the British rather become a protectorate of the US than work with their fellow neighbours. Germans and French easily criticize their southern counterparts regarding their finance, however submarines have been forcedly sold to indebted countries by unclear means that tend to leave a trail of corruption and waste. Rich countries forgot where their wealth is based on, meaning the cheap labour and commodity markets that are supplied by other countries. Not to mention who is benefiting from the abusive interest rates that are attacking poorer countries like ravaging swarms of wasps.

 

The mediocrity that grabbed the wheels of power is overwhelming. Unfortunately, this is not a problem restricted to our continent, of course, but such fact does not ameliorate the sadness of watching the motherland of so many philosophers, ideologists and revolutionaries so devoid of critical intellect. It is also clear that our leaders, high above in their pedestals, live in quite a different world from the one most Europeans dwell. Down here, our lives are played like if in a checkers game, mediocre politicians look at the very people they ought to serve like an embarrassing burden that makes statistics look bad. The very notion of the social state, which is the real reason why people came to live together, anyway, became an obstacle to finance, as once it was to the selfish objectives of sovereigns and dictators. Democracy itself is at its last when financial institutions now decide who is or not to govern a country. Remember Greece. And Ireland. And Portugal. And Spain. Others will, once again, follow. Meanwhile, our protests are ignored when not censored. Europeans are now collateral damage in their own home. History, however, repeats itself. Remember 1789 and 1917.

 

We should be fighting for our common home, without denying our ancestors, nationality or history. Europe should belong to all Europeans and all who wish to join us or become our allies. We should be proud that our home it the selection of all those who arrive at our shores in hope of a better life instead of chasing them away like unwanted beasts. We do not need more empires or weapons of mass destruction parading up and down the squares. And if we want oil, we shall simply buy it instead of supporting the dictator who may arrange the monopoly on our behalf. Our cities are now crowding with people from all over the continent, in fact from all over the world, taking benefit from free trade, liberty to travel anywhere and from our common currency which is under attack since it threatened the majestic USD. May all of us think if we wish to return to the era of fortified borders with little soldiers all around them. May we all look back and think if what we want is to return to the age of empires, dubious allegiances and treacheries that ultimately ended in two world wars, sixty-million dead bodies, a holocaust and a wall that divided the continent by the world’s new superpowers. May we think if we really want to go back to all that. 

 



publicado por Harpad às 18:03
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011
...pois...

Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. — No fundo de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas de dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?

 

Almeida Garrett

(in Viagens na minha terra, 1846)



publicado por Harpad às 22:45
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Sábado, 15 de Outubro de 2011
uma coisinha de nada...

...ou assim desejariam uns quantos. 

 



publicado por Harpad às 01:36
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011
...ora aí está...

Proponho que sejam passadas em revistas todas as grandes vitórias do neo-liberalismo português, encimado por este nosso novo governo que tanto nos afoitámos por eleger:

 

1) Acabaram-se a saúde, educação e transportes verdadeiramente públicos e gratuitos ou de custo simbólico.

2) Acabaram-se os despedimentos com justa causa. Ficaram só os despedimentos.
3) Acabaram-se com as indemnizações dignas desse nome por despedimento seja de que tipo for.

4) Acabaram-se as férias pagas.

5) Acabou-se o conceito de bem de primeira necessidade. A electricidade é cara, o gás também, a água para lá caminha. Privatize-se o ar também, porque não.

 

Em troca recebemos:

 

1) Menos ordenado.

2) Maior carga fiscal.

3) Menor poder de compra.

4) Pior qualidade de vida.

 

E para quê, afinal? Para que os Amorins, Azevedos, van Zelleres, Mellos, Balsemões e outros figurões não paguem impostos em condições.

 

Assim sendo, todo um século de vitórias conseguidas a ferro pelos povos foi definitivamente enterrado. Eis-nos, portanto, regressados ao século XIX. Um detalhe curioso, contudo: no século XIX os estados já estavam endividados. Aparentemente,já então, esta merda toda de nada mais serviu, serve ou servirá, do que a manutenção do status quo de um punhado de ricos. 

 

 

Sugiro que acordemos.  Dia 15 para a rua.



publicado por Harpad às 00:14
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Terça-feira, 9 de Agosto de 2011
XXI Ocidental - IV

Por mais que o desejem, por mais que o jurem os neo-liberais, por mais que culpem tudo e todos pelos seus insucessos (do estado social ao multiculturalismo), o capitalismo não é, nunca foi, nem será, sustentável. A aritmética do capital é simples: numa perspectiva neo–liberal, dois mais dois não são necessariamente quatro. Podem ser cinco, seis, ou zero, dependendo de onde sopram os ventos da especulação. No entanto, a aritmética real contradi–los: dois mais dois serão sempre quatro e assim, depois de sessenta anos de american dream, em que dois mais dois podia ser mudar de carro todos os anos, casa no subúrbio com piscina e consolas para os miúdos, eis que a matemática mais elementar chegou para cobrar. Afinal, o grande sonho americano, o grande horizonte capitalista não está ao alcance de maioria. A maioria, essa, endividou–se até ao tutano, deixou de pagar as contas e os juros do crédito que contraiu para se cercar de luxos inúteis e assim começaram a cair as empresas de crédito ao consumo. E depois os bancos que lhe emprestavam dinheiro. E por aí fora. Hoje, são os próprios países que estão em risco. É curioso pensar que o tal “efeito dominó” demonizado pelo senhor Kissinger afinal, não foi despoletado por ditaduras de loucos e genocidas que enterraram a esperança de milhões em Gulags e afins mas pela própria ilusão capitalista, se me é permitida esta fraca analogia.

 

A humanidade não pertence a ela própria. A humanidade pertence a uma elite. Esta elite não é de “esquerda” nem de “direita”, nem “democrata” nem “republicana” nem se identifica com “ismos”. Esta elite utiliza, isso sim, um “ismo” – o capitalismo – para exercer o seu domínio. Para esta elite, que detém, efectivamente, a quase totalidade da riqueza mundial, o resto da humanidade existe para a servir. O resto da humanidade é mão–de–obra e, simultaneamente, mercado. Nós, o resto, somos inferiores, o nosso propósito é a subserviência. Se existe fome, se existe miséria, se existe precariedade, para a elite, tal é um efeito secundário necessário para a manutenção do seu status, um fenómeno episódico que convém monitorizar e nada mais. Esta elite formou um grupo – arriscaria dizê–lo político se na verdade, não o soubéssemos acima de qualquer concepção de “política”. A democracia, para estes senhores, é algo com que as massas se entretêm para que se convençam de que são livres. A necessidade de financiar campanhas políticas e a eficácia dos grupos de pressão (ditos lobbies) garante–lhes o verdadeiro controlo sobre as nações. Colocaram–se de lado, para o efeito, rivalidades entre famílias, e criou–se o grupo Bilderberg, assim chamado pela localidade suíça onde ocorrem reuniões. Interessantemente, o tal senhor Kissinger tem sido o feliz cão–de–fila deste mesmo grupo. O capitalismo parece ser a ferramenta ideal para a manutenção do status deste grupo de poderosos, os verdadeiros senhores do universo: é apelativo – os humanos gostam de possuir e exibir as suas posses; é auto–sustentável ideologicamente – a grande maioria das pessoas prefere a ilusão de ser, um dia, parte da elite do que a certeza de que, levando uma vida honesta, poderão ter qualidade de vida garantida através de justiça social; e por fim, dinheiro cria dinheiro – quem é rico tem e terá as portas do mundo destrancadas, quem tem muito dinheiro, tem–nas escancaradas. Na prática, a receita é simples: privatiza–se tudo, garante–se um ensino de massas fácil, ilusório e estupidificante (veja–se Bolonha), tendo–se o cuidado de criar uma Ivy League para as elites que a possam pagar. O resto é o laissez faire capitalista e puro merchandising – é certo e sabido que as pessoas comuns mais depressa absorvem publicidade do que propaganda política. O sistema tem, contudo, falhas graves.

 

As elites, no seu conjunto umas poucas dezenas de famílias de todo o mundo, não foram, são, e dificilmente serão, afectadas pela crise financeira mundial. Ninguém lhes cobra mais impostos para cobrir défices e redistribuir a riqueza que andaram a acumular e cujo único propósito é a manutenção do status. Ninguém lhes pede para prestar contas pelo descalabro do sistema financeiro que divisaram e mantêm. Pelo contrário, estão cada vez mais ricos. O mercado económico dos comuns trabalhadores, esse, está cada vez mais depauperado de riqueza após a sangria desta para os bolsos da elite, ocorrido principalmente nos últimos sessenta anos, desde que os EUA tomaram conta do mundo (ou quase todo – mais do que uma questão ideológica, a questão soviética foi essencialmente geopolítica). Esta sangria de capital das classes média e inferiores, não apenas continua após a crise do sub–prime como aumentou com o pretexto dos défices avassaladores (e irrecuperáveis, convenhamos) que os países capitalistas acumularam para manter um estilo de vida que tanto apregoaram e que é, obviamente, insustentável. Assim, quando do que necessitávamos seria a redistribuição de riqueza pela humanidade, eis que as elites, recusando abrir a bolsa, forçaram governos a cobrar mais impostos à classe média, flexibilizar leis do trabalho, aumentar a precariedade laboral, entre outras medidas já bem conhecidas por todos nós. A curto prazo, poderá manter o capitalismo à tona de água – durante mais um ano, ou dois, ou três – mas não impedirá o navio de se afundar. A médio prazo (provavelmente mais curto do que se pensa), a massacrada e empobrecida classe trabalhadora deixará de poder consumir e sem consumo, não há economia de mercado. Onde estão, pergunta–se, as reformas que se adivinham necessárias: a tributação sobre as grandes fortunas, o fim dos paraísos fiscais, o controlo (ou eliminação) da especulação financeira (começando pelas agências de rating), o controlo dos custos das matérias–primas essenciais que tanto têm encarecido a produção primária à custa da cartelização (como no caso do petróleo), a implementação de um estado social justo em que se paguem (e bem) impostos mas onde saúde, segurança, transportes e educação sejam gratuitos para que sobre a quem trabalhe riqueza para poder comprar e assim manter um mercado saudável e auto–sustentável? Nada disto, contudo, foi feito. Pelo contrário, vivemos numa época de ditadura: ao invés do medo de uma qualquer polícia política temos agora o medo dos mercados e dos senhores do universo que os controlam. É a ditadura do dinheiro. É o capitalismo.

 

Esta elite, estes senhores do universo, apenas temem duas coisas – duas coisas apenas: 1789 e 1917. Estes dois números, ou melhor, duas datas, representam as duas únicas alturas em toda a história da humanidade em que foram derrotadas. É claro que antes tínhamos outras famílias, outros nomes para os senhores do universo mas as elites são as elites. O problema é que as pessoas são as pessoas. Um Rothschild e eu partilhamos o mesmo património genético. Eu não sou um senhor do universo nem quero sê–lo mas a mim, tal como a muitos outros, a paciência tende a esgotar–se. Aconteceu antes: em 1789 e em 1917. Robespierre e Estaline poderão ter enterrado o sonho mas os verdadeiros sonhos nunca morrerm. Pensem nisso, meus senhores. E paguem o que devem. 



publicado por Harpad às 23:57
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Quinta-feira, 21 de Julho de 2011
a falácia das privatizações

Deixo aqui este interessante vídeo sobre privatizações, medida de que o nosso actual governo tanto aprecia. O filme, em forma de documentário, diz respeito às medidas de privatização adoptadas pela administração Menem na Argentina, há alguns anos atrás. Relembro de que se trata do mesmo país que, algum tempo deois, mergulhou numa das mais severas crises económicas da história contemporânea, uma crise que, como nos devemos lembrar, faz a Grécia nos dias de hoje parecer um paraíso capitalista.

 

O vídeo tem origem no Brasil, tendo sido elaborado como resposta às medidas propostas pelo então candidato adversário de Lula, José Serra. As analogias que se podem retirar para as actuais propostas do nosso coelho-ministro e sua corte são aterradoras. Meditemos, portanto.

 

 



publicado por Harpad às 00:34
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Terça-feira, 12 de Julho de 2011
os abutres e as alforrecas

...e eis que - não ao sétimo, nem ao mesmo oitavo, mas ao fim de incontáveis dias - a implacável inércia da aristocracia política, social e económica da Europa se levantou! Às armas que a Itália está sobre fogo! Às armas que a especulação financeira nos estrangula! Às armas que tenho casa à beira do Lago Como!...

 

Não entendo:

 

-mas a especulação financeira não é a mãe, o pai, a avó e o gato Tareco deste glorioso mundo capitalista?

 

-a economia privada, ao invés de destruir nações, não iria levantá-las do chão para a glória do deus Capital?

 

-Portugal não fará parte da União Europeia, que nada fez para impedir este ataque? Tal como a Grécia? Tal Como a Irlanda?

-Portugal não faz parte da NATO, organização humanitária gerida pelo país que pretende destruir o Euro para não competir com o seu sobrevalorizado e ultra-especulado Dólar?

 

Bartoon por Luís, de 11 de Julho. Retirado do Público.

 

 

... e também...

 

-mas não é o Sócrates o culpado disto tudo?

 

-o governo não tinha caído pela excessiva severidade de um PEC qualquer? (Já vamos na versão quê? Cinco?)

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Harpad às 01:16
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Segunda-feira, 27 de Junho de 2011
exames nacionais

Aqui deixo um excerto do exame nacional de matemática (B), 10 e 11º anos de escolaridade, que considero particularmente interessante. A prova pode ser consultada na íntegra no site do GAVE

 

 

 

Portanto, se percebi bem, há um gajo qualquer chamado Rui que estuda acústica e que se interessa por marés. OK, tudo bem, eu sou biólogo e interesso-me por sofística pré-socrática. Faz sentido.

 

 

-Mas ó S'tôr, só há marés em Leixões? Já agora o que é acústica?

 

-Não, há marés em todo o lado e acústica relaciona-se com o som e sua propagação.

 

-Mas as marés fazem barulho?

 

-Bem... não, quer dizer... talvez... não sei. 

 

-Mas nos lagos não há marés.

 

-Há, só que a massa de água não tem dimensão suficiente para que a maré se possa sentir. 

 

-OK, mas esta cena do som tem que ver com aquilo de se ouvir melhor debaixo de água?

 

-Não... se bem que as marés se possam considerar oscilatórias, como qualquer vibração.

 

-Não percebi.

 

-Deixa estar isso e faz a porra do exercício.

 

-Deixar estar? Então e se isto é uma informação importante? Não falavam do raio da acústica se não fosse importante, pois não?

 

-Esquece essa merda! Só está aí porque o exercício seguinte fala de som!

 

-Ah! Então as marés sempre fazem barulho.

 

-Fod...

 

-Então e se o gajo se chamasse António? Tem mais letras, faz mais barulho?

 

-??

 

-Então e se fosse um canário? É que a minha avó tem um e mora em Vila do Conde... Já agora, os canários sabem nadar?

 

-???? Estás louco?

 

-Ó S'tôr, isto é uma rasteira, não é?

 



publicado por Harpad às 23:42
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

soluções à portuguesa II

O nosso querido líder viajou recentemente para Bruxelas enquanto débutante da política europeia e, para prestar, como devido, vassalagem à cardeal-matriarca da economia europeia, a Fräu Merkel. 

Como demonstrar aos eleitores portugueses que a austeridade é para lecar a sério e, simultaneamente, se exibir como exemplo de confiança e honestidade? Simples: viajar em classe turística pela TAP, ao invés de optar pela classe executiva.

 

Não está mal visto, não senhor! Salienta-se, no entanto, uma questão (detalhe mínimo, sem dúvida): a TAP NÃO COBRA tarifa aos membros do governo português. Como resultado, o dinheiro que foi, efectivamente, poupado, aos contribuintes portugueses foi ZERO. Demagogia e oportunismo, por outro lado, foram impingidos aos portugueses em abundância.

 



publicado por Harpad às 21:30
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 19 de Junho de 2011
o princípio do fim da democracia

Enquanto cá se enche a Avenida da Liberdade de ervas em mais uma parolada à nacional; enquanto cá os futuros magistrados (sim, os tipos que supostamente serão pagos para apanhar os cidadãos desonestos) são apanhados a copiar em massa nos exames de acesso à carreira; enquanto por cá se fazem governos de incógnitos medíocres; enquanto por cá as transferências de Porto, Benfica e Sporting são notícia de primeira página, eis que surgem movimentos de revolta que se vão espalhando por essa Europa fora (incluindo por cá) sem que o Tuga se aperceba. 

 

Mais do que questionar o nacional-porreirismo que nos rege, "o que se passa com o jornalismo, nos dias de hoje?" é a questão a colocar. 

 

O que sucede a um dos pilares da Democracia, contituído pela liberdade e pela a idoneidade de informação (coloco-as assim, juntas, pois só unidas fazem sentido)? A resposa parece simples: desabou desabou debaixo de interesses económicos, políticos e da mediocridade geral que, por fim, avassalou o meio jornalístico. 

 

O que cá começou com o descrédito de um primeiro-ministro eleito após o choque frontal com o senhor Belmiro de Azevedo, aquando do fracasso da sua OPA, continua com o ignorar das revoltas com a democracia podre em que vivemos em todos os países e locais onde não existam manifestações violentas (na Grécia, portanto). As notícias são poucas, mal explicadas, reduzidas a efemérides e cheias de incorrecções. Terão os media, portugueses e não só, receio de dar ideias aos povos dos seus países? Se sim, quem tal lho pediu?

 

Em Espanha, a polícia infiltra-se entre os manifestantes para os incitar à violência (sucedeu em Barcelona, no dia do bloqueio ao parlamento). Por cá, passou uma notícia (em rodapé, quase), anunciando que o movimento 15-M perde popularidade por se ter tornado violento. Hoje, foi publicada esta notícia no Publico Online. Atente-se na notícia de que as manifestações se espalham por todo o continente. PArece-me tema para encher todos os canais de notícias e para se convocarem debates, comentários & etc. Então porque tenho ouvido mais acerca do interesse do Inter em Villas-Boas do que neste assunto? 

 

Em Espanha, o El País parece ser uma excepção à cegueira total. Afinal, há quem tenha reconhecido uma farsa. Há pelo menos um jornalista que não se deixa iludir. Veja-se esta notícia.

 

Já agora, veja-se também o filme onde se compova esta farsa:

 

 

O que está a acontecer ao mundo dito democrático? Porque motivo estamos a deixar que isto nos aconteça?

 

A sorte dos povos ocidentais, contudo, é que a globalização e a tecnologia trouxeram a grande vantagem de se poder, agora, captar, partilhar e comentar notícias sem ter que pedir licença e, felizmente, sem ter que apresentar carteira de jornalista profissional.

 

Aproveitemos também para obter alguns esclarecimentos sobre o movimentos dos "indignados", pelas palavras do economista catalão José Luis Sampedro:

 

 

E para terminar: que merda é esta do Pacto do Euro e porque não está na ordem do dia cá na aldeia?

 

 



publicado por Harpad às 23:38
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 15 de Junho de 2011
afinal, para que serve um economista?

...eis a questão. Depois da crise de 2007, que reformas foram efectivamente feitas na economia de mercado (vulgo, "capitalismo"; vulgo "liberalismo"). Zero. Após um ano de FMI a Grécia está pior. Para que serviram os grandes economistas e gestores? Nada. O que aconteceu à Islândia e à Irlanda, esses grandes modelos capitalistas? O descalabro total. Afinal vamos ter uma nova crise em 2013, diz o economista que previu a de 2007. Fantástico - Marx já tinha previsto o acumular de crises até à ruptura final do capitalismo, ainda antes de meados do século XIX! Afinal enganei-me, parece-me que houve um economista que foi, efectivamente, capaz de debitar informação original. Pena que esteja morto.



publicado por Harpad às 23:38
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Terça-feira, 14 de Junho de 2011
ainda de pepinos

Vejamos se ficou claro:

 

1) os alemães não sabem lavar os legumes.

 

2) sem qualquer conhecimento de causa ou facto que lhe pudesse servir de sustento, os alemães (autoridade e comunidade civil) apressam-se a fazer cair as culpas do surto de Escherichia coli sobre os agricultores espanhóis, sendo Espanha um país, já por si, em grandes dificuldades sociais e económicas.

 

3) afinal o problema advém dos rebentos de soja cultivados numa quinta alemã.

 

4) os alemães pouco lamentam, dizem que a quinta teve "pouca sorte, apenas" e mais nada.

 

5) a UE, entenda-se, os contribuintes europeus que paguem o erro, a xenofobia e a incompetência geral demonstrada nesta situação.

 

 

Porque tenho eu, entre outros, que pagar por isto, afinal? Talvez fosse mais útil para a UE atacar este tipo de mentalidade onde mais dói: no bolso dos alemães.

 



publicado por Harpad às 00:07
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Terça-feira, 7 de Junho de 2011
de lagomorfos

 

Suicide Bunnies por Andy Riley (C) 

 

 

 



publicado por Harpad às 23:48
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Segunda-feira, 6 de Junho de 2011
soluções à portuguesa I

 




Domingo, 5 de Junho de 2011
comentário da noite de eleições

Um jornalista da TVI (salvo erro) pergunta a uma menina que festeja na rua com uma bandeira do PSD:

 

"Festeja a vitória do PSD?"

 

"Festejo principalmente a derrota do Sócrates."

 

"Mas festeja, então, a vitória do PSD?"

 

"Por acaso até votei no Passos Coelho mas estou a festejar a saída do Sócrates."

 

 

E penso que tudo está bem resumido. 

 

 

E agora, uma música dedicada ao Grande Coelho Laranja, reflectindo os sinceros desejos de sucesso para a sua governação (com o Sr. Portas como esposa política). 

 



publicado por Harpad às 23:28
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Sábado, 4 de Junho de 2011
cortes no orçamento da cultura...

...na Itália de Berlusconi.

 

 

 

Uma iniciativa do maestro Riccardo Muti, durante uma representação da ópera Nabucco, de Verdi, cujo coro dos escravos hebreus foi sempre considerado um hino patriótico italiano já que, quando foi pela primeira vez representado ao público, uma boa parte da Itália do norte ainda se encontrava em poder Austro-Húngaro.

 

va', pensiero, sull'ali dorate.
va', ti posa sui clivi, sui colli,
ove olezzano tepide e molli
l'aure dolci del suolo natal!
del Giordano le rive saluta,
di Sionne le torri atterrate.
o mia Patria, sì bella e perduta!
o membranza sì cara e fatal!
arpa d'or dei fatidici vati,
perché muta dal salice pendi?
le memorie del petto riaccendi,
ci favella del tempo che fu!
o simile di Solima ai fati,
traggi un suono di crudo lamento;
o t'ispiri il Signore un concento
che ne infonda al patire virtù
che ne infonda al patire virtù
al patire virtù!



publicado por Harpad às 17:04
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

votem, ó catano

pedidos vários para domingo:

 

1) votem! Não deixem que outros decidam por vocês. O argumento "ha, e tal, são todos iguais" é a desculpa dos acéfalos e dos carneiros.

 

2) estamos em plena crise mundial causada por décadas e décadas de liberalismo selvagem. Não é boa ideia enfiá-los no governo de cá. Povo: votemos à esquerda, porra.

 

3) não coloquem os sacos de lixo à porta porque, sendo domingo, não há recolha. Com este calor rapidamente começam a deitar cheiro, o que é algo que me aborrece.




Sexta-feira, 3 de Junho de 2011
como é possível

Pois é, a acreditar nas sondagens, Portugal vai guinar, forte e feio, à direita, já no domingo. 

 

Será possível que os portugueses vão colocar no poder a mesma mentalidade (não arriscarei usar a palavra ideologia aqui, pois o partido que lidera as sondagens não a tem, nem nunca a teve) que causou a crise de 2007? A mesma mentalidade que gere esta triste Europa há anos? Será que é preciso remlembrar que as Merkels, os Sarkozys, os Berlusconis e muitos, muitos outros, não são exactamente socialistas? Será que é preciso relembrar que aqueles que não foram, nem são (nem serão) afectados pela crise ou quaisquer medidas de austeridade, como os Pintos-Balsemões, os Espíritos-Santos e outros, não são são propriamente Marxistas-Leninistas?

A culpa é do Sócrates? De quê? Da gripe das aves? Do Tsunami no Japão? Da crise do sub-prime? De ser um tipo arrogante e pouco elegante de palavras, sim. De ter feito pouca frente aos boys do PS, sim.  E de ter criado as Novas Oportunidades? E o investimento em ciência, nulo no tempo dos Cavacos, Flopes & afins? De ter investido na cultura? Querem, aliás, uma amostra do que se tem feito nos últimos tempos neste campo, recomendo que assistam ao Festival ao Largo, em Lisboa, todo o mês de Julho. Será o último, certamente. Distribuir computadores aos miúdos é mau? E o rendimento de insersão social também? E já agora, recuando um pouco, foi mau o Porto 2001? Serralves? A Casa da Música? O Euro 2004? A Expo 98? Tudo acontecimentos que os conta-tostões do PSD sempre criticaram mas que nos colocaram no mapa da existência (o que atrai verdadeiro investimento vindo do estrangeiro, de que tanto precisamos) depois de 50 anos de Estado Novo e 10 anos de Cavaco nos terem remetido para o obscurantismo social, político e económico.

 

Todos se regozijam com a queda do governo, como uma espécie de Abril dos tontos: a direita anseia pelo poleiro, a triste esquerda que temos irá estar no seu palco preferido: o jogo do bate-pé à direita. Chiquérrimo ser um antifascista do pós-25 de Abril. 

 

O PS vai perder porque os media assim o ditaram desde que um tal de Belmiro de Azevedo se aborreceu por causa de uma certa OPA falhada. Desde aí tem sido o descalabro. Lamento dizê-lo, mas os Gato Fedorento deram mais votos ao PSD que todos os seus líderes juntos conseguiram angariar desde o tempo do Toneca Guterres. 

 

Será possível? Termos precários a votar na direita? E estudantes do regime das Novas Oportunidades? E cientistas?

 

 

É muito, muito triste.

 

 

"como cegos, à beira de um barranco" 



publicado por Harpad às 20:20
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 29 de Maio de 2011
o grande feito neo-liberal

Torna-se cada vez mais evidente que o debate político ganha contornos futebolísticos. Fala-se de "esquerda" e "direita" como se se falasse de "Porto" e "Benfica" ou "Benfica" e "Sporting". Etc. De um lado temos os "vermelhos" que, convenhamos, pouco ou nada mais têm apresentado do que demagogia e repetitivismo. Do outro lado temos os neo-liberais, a direita política e social, que parece basear os seus argumentos em tudo menos nos factos, na história e na simples aritmética. Aparentemente, será esta gente que os portugueses irão eleger para o próximo governo, tal como muitos outros europeus antes o fizeram. Ou não. 

 


O problema de Portugal não é apenas um problema de Portugal. A globalização assim o dita. O problema é mundial e está enraizado na própria essência do neo-liberalismo: o laissez-faire, o individualismo, a ganância, a riqueza imediata, todos conceitos-pilar de um sistema económico sem hipótese de futuro mas, admitamos, atraente para a grande maioria da população humana. 

Para os economistas liberais, dois mais dois não são quatro. Podem ser cinco. Ou mesmo seis. Ou talvez três ou zero se os mercados assim o entenderem. Quando forem menos que quatro, o problema resolve-se pedindo crédito. A assim rebentou a bolha do sub-prime: mais de meio século da imposição dessa ilusão que é o american dream ao proletariado: tenha uma casa enorme, uma piscina, consolas para os putos, mude de carro todos os anos, vista roupa de marca. Não o pode pagar? Não faz mal. Aceitamos crédito. 

Há que admitir mérito na estratégia neo-liberal. Ao invés de reformar o capitalismo e de devolver a esse mercado que o mantém realmente a funcionar - a classe média - a riqueza que tem vindo (e continua) a ser acumulada por muito poucos pelo mundo fora. Acumulada por drenagem, literalmente da classe trabalhadora. Pois. Dois mais dois continuam a ser quatro e o dinheiro não cresce nas árvores: se entre duas pessoas existirem duas moedas, para que uma tenha duas a outra tem zero. Simples. Um economista diria que não mas também, os economistas são os tipos que ganham prémios-nobel por introduzirem o comércio da poluição. 

 

Poder-se-ia introduzir um sistema de reformas que refreasse a oferta de crédito ao desbarato, a especulação financeira e o apelo ao consumismo desmesurado, entre outras medidas. Nada foi feito por se tratarem de conceitos avessos ao laissez-faire. Poder-se-ia obrigar os muitos ricos a pagarem impostos a valer sobre as suas desmesuradas fortunas. Como alternativa, investir em actividades que criassem verdadeiros postos de trabalho, a troco de regalias fiscais. Nem pensar. O bolso é o órgão onde mais lhes dói. Em Portugal, estamos há demasiado tempo dependentes da mesma economia corporativista que governava a Outra Senhora. Sim, é verdade, Belmiros, Champalimauds e muitos outros já se sentavam à mesa do Estado-Novo. Mas a culpa é dos portugueses que são pouco produtivos. A culpa é dos impostos. A culpa é do estado. A culpa é to Sócras. A culpa é da CGD. A culpa é dos sindicatos. A culpa é do Trocas-te. A culpa é dos cabrões que querem ter ordenados mínimos, contratos de trabalho, despedimentos com justa causa e indemnizações e outros conceitos totalmente avessos ao ideal empreendedorista neo-liberal, sempre atreito a ao lucro fácil e imediato mas nunca à noção de que, espremendo a classe média, acaba-se a economia de mercado porque deixa de haver poder de compra. Afinal tudo se resume a uma linha: a classe trabalhadora que alombe com a austeridade para que os ricos continuem a enriquecer.

 

É isto. 

 

E apenas isto.

 

Dúvidas? Foram publicadas recentemente as listas dos mais ricos do mundo - lá estão todos e mais ricos ainda. Afinal, quem se fodeu (desculpem a expressão) com a crise iniciada em 2007?

Elejamos, portanto, o Grande Coelho Laranja para novo líder de um barco a afundar-se com o peso, não do estado, mas do liberalismo. Engulamos as falácias capitalistas de austeridade, entreguemos os direitos pelos quais lutamos há tanto tempo. Escutemo-lo a apresentar o seu programa eleitoral ultra-liberal a prometer mais austeridade do que o próprio FMI considera necessário. Deleitemo-nos a tentar explicar porque é que os portugueses deviam pagar, e bem, pela saúde privatizada, esse direito essencial para quem o pode pagar, entre outras medidas similares. Isto ajuda o capitalismo? Como é que tal sucederá com mais uma machadada no poder de compra da classe média? Ouçamos este betinho de Massamá divagar sobre as Novas Oportunidades, chamando a este alunos de medíocres, quando ele próprio tirou o seu curso (em oito anos, consta) em que universidade? Lusófona? Do Atlântico? Quem é este fantoche de ricos e poderosos, afinal? Mas quem é este indivíduo, afinal? Quem são os tipos que o seguem? Quem são os titeteiros atrás dele? Já agora, quem são estes comentadores políticos, economistas de treta, jornalistas e outros bardamerdas que tal, que de cada vez que abrem a boca ajudam a enterrar o meu país no lodaçal da especulação financeira internacional? Quem são estes gajos a quem não reconheço mais inteligência, clarividência, conhecimento ou seja o que for, do que a mim próprio, para governar um país, modificar mentalidades ou impôr candidatos?


Meus caros, o neo-liberalismo terá, quanto muito mais dez anos de vida. É inevitável: todo o mundo capitalista flutua sobre riqueza que não detém para que muito poucas famílias se possam continuar a sentar no topo do mundo. Tudo o resto, com a vossa licença, é conversa de merda.  



publicado por Harpad às 22:17
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Sexta-feira, 27 de Maio de 2011
sobre a higiene urbana em Espanha

Pois é, aparentemente, há vários dias que se amontoava uma enorme pilha de lixo na Praça Catalunha. De acordo com os responsáveis pela higiene urbana, a maior parte deste lixo era constituído por um tipo de dejecto nefando intitulado de "pessoas".

A polícia local, os "Mossos D'Esquadra", conseguiu remover tal imundície bastonando os indesejáveis, divididos por classes como "jovens", "idosos" e "famílias", entre outros. Segundo o cacique local, há que limpar o local para os festejos da vitória do Barça sobre o Man United, a suceder não sei bem quando. 

 

Ainda bem, assim sempre se evita a disseminação de maleitas potencialmente pandémicas como "pensar" e "protestar".

 

Veja-se, por exemplo, aqui.



publicado por Harpad às 19:04
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Quinta-feira, 26 de Maio de 2011
o asco - 4

 

O Grande Coelho Laranja continua a sua extradinária saga com o intuito de, em simultâneo, reaver os votos entretanto perdidos para o CDS e colocar o Paulinho das Feiras no seu devido lugar, indivíduo este que muito empinado tem trazido o nariz, pois bem sabe que o GCL precisa bem mais dele do que o oposto, na verdade. Para quem tem seguido as notícias de hoje certamente reparou no insólita de ver o GCL alternar entre a defesa da liberalização do aborto e o "ha e tal, podemos rever isso e o catano..." ou então "nós, referendar não, mas se houver um movimento popular..." E mais não sei o quê (e o camandro).

 

 

Percebe-se bem, claro: há que papar votos do CDS e manter a vaga componente social democrata que ainda existe no PSD a seu lado, ou pelo menos não chatear (a começar pela Paula Teixeira Pinto, a pessoa desse partido que consegue demonstrar cérebro porque tem, de facto, cérebro para demonstrar).



publicado por Harpad às 22:46
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

.Mas, afinal, quem é esta besta?

.Contactar o provedor



.Pesquisar
 
.Maio 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


.Tópicos recentes

. ...vive la France...

. puro empreendedorismo

. doces carneiros

. A era da estupidez - 3

. um 25 de abril para refle...

. (des)investimento em ciên...

. A era da estupidez - 2

. circo

. A era da estupidez - 1

. XXI European Manifesto

.Velharias

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Dezembro 2011

. Outubro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Maio 2010

. Julho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Janeiro 2009

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

.tags

. todas as tags

.Anúncios












.Contagem de vítimas

Harpad© 2012