Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

as cinco partes do mundo são quatro: fé esperança e caridade

Cada vez que vejo um noticiário ou folheio um jornal indeciso-me (do verbo indecidir) entre o suicídio e o genocídio. Suponho que deva agradecer aos senhores jornalistas a animação que trazem à minha vida e à dos demais mas penso que seria injusto atribuir o crédito da miséria dos cidadãos apenas a uma das muitas classes de medíocres a que está integral e inequivocamente entregue este nosso século XXI.

 

Se me é permitido um humilde desabafo, gostaria de partilhar que me sinto deambular por um mundo dominado pelo Ministério da Verdade. No entanto, ao invés da instituição lapidar da Pista Um de Orwell surge esta, ou não fosse o vigésimo primeiro um admirável novo século, elaboradaa como uma espécie de Wikipédia da História Que Mais Convém. O seu funcionamento é simples: re-inventam-se os factos históricos, espalhamo-los pela Rede e citamo-nos todos uns aos outros conforme achamos a informação adequada para o raciocínio que pretendemos desenvolver. É simples, ora atentemos em alguns exemplos:

 

Antes da crise a iniciativa privada iria salvar o mundo de si mesmo e o estado-empresa representava o futuro mais brilhante da humanidade, sendo o estado enquanto entidade pública um verdadeiro emplastro no caminho dos yuppies que iriam retirar a Humanidade das trevas – HOJE todos perguntamos onde está o estado, ei o meu subsidiozinho, ai que a saúde privada é muito cara, ui que não tenho dinheiro para os estudos dos putos, etc. O supremo argumento, a cereja no topo do bolo surgiu aquando o caso BPN: “onde, mas onde estava o Estado que permitiu tão ignobilmente que eu realizasse estas trafulhices?”

 

“SIM, EU PREVARIQUEI MAS SÓ PORQUE O ESTADO ME DEIXOU PREVARICAR. NÃO FOSSE O ESTADO E SERIA EU UM LEGÍTIMO PREVARICADOR”.

 

E mais um perfeito exemplo: aquele cromo do BPP que na semana da ruína do seu próprio banco, lançou um livro de auto-elogio! HAHAHA! Melhor exemplo de como re-inventar a história não deve existir.

 

Mas há mais, oh muitos mais, e talvez melhores casos de argumentação fictícia que se vai multiplicando como amibas num charco até se tornar numa verdade absolutamente indesmentível. Veja-se a teoria que defende que O-Laranjal-poupa-enquento-o-Roseiral-gasta-e-torna-o-défice-um-caos”. De onde vem isto? Já viram bem quanto era o défice nos anos de monarquia absoluta do Sr. D. Rei. Cavaco e a sua Dona Maria? O que andaram estes tipos a fazer na época das vacas mais gordas, quando o dinheirinho da CEE não parava de entrar e cair nos bolsos rotos de pseuso-empresários, boys e outro chupistas do aparelho laranja com zero resultados? Mais: défice democrático, hoje? Então e os secos-e-molhados, os tiros-na-ponte e mais os telefonemazinhos do Marques Mendes para a RTP a dizer “epá, olhai e o camandro…”.

 

Um clássico: “NATO foi criada para nos defender do Pacto de Varsóvia”. ESTÁ TUDO LOUCO?? O Pacto é POSTERIOR À NATO. O próprio ESTALINE pediu para aderir à NATO pouco depois desta ser formada.

 

A crise? Uma maravilha: começou no espectro mais abjecto do Capitalismo, o consumo desenfreado ligado ao crédito desenfreado para o pagar, e acaba no défice, obviamente causado pelo estado social, esse cabrão!!! HAHAHIHO!!!!!

 

Estranho é que o New Deal, que removeu os EUA da crise de 29 em conjunto com o rearmamento europeu, não era, na verdade, um plano de contenção do défice mas sim de investimento social. E esta, hein?

 

Para não falar, claro desses fabulosos modelos capitalistas internacionais: A ISLÂNDIA e a IRLANDA.

 

Não vale a pena. Estamos loucos. Não existe um Ministério da Verdade: existem milhões: cada gajo que (pensando bem, como eu) tem acesso à Rede e a um teclado inventa o que quiser para justificar aquilo que gostaria que mundo fosse por mais absurdo que seja. Os jornalistas espalham a loucura e o pânico. Já não se informa. Já não se pensa, atiram-se postas de pescada. Diz-se que tudo está na merda e, na ausência de argumento que justifique a afirmação, repete-se a mesma. Até ao partido que se quer chegar ao poleiro. Até ao meu clube de futebol ganhar outra vez o campeonato. Até conseguir comprar um telemóvel de cagagésima geração.

 

Como dizem USA Maricanos:

 

Oréver.

 

 

Viva o rei D. Cavaco I.

Viva o Capitalismo.

Viva o FMI.

 

Pim!

 

(foda-se)

 

 

 


publicado por Harpad às 23:33
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