Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

como é possível

Pois é, a acreditar nas sondagens, Portugal vai guinar, forte e feio, à direita, já no domingo. 

 

Será possível que os portugueses vão colocar no poder a mesma mentalidade (não arriscarei usar a palavra ideologia aqui, pois o partido que lidera as sondagens não a tem, nem nunca a teve) que causou a crise de 2007? A mesma mentalidade que gere esta triste Europa há anos? Será que é preciso remlembrar que as Merkels, os Sarkozys, os Berlusconis e muitos, muitos outros, não são exactamente socialistas? Será que é preciso relembrar que aqueles que não foram, nem são (nem serão) afectados pela crise ou quaisquer medidas de austeridade, como os Pintos-Balsemões, os Espíritos-Santos e outros, não são são propriamente Marxistas-Leninistas?

A culpa é do Sócrates? De quê? Da gripe das aves? Do Tsunami no Japão? Da crise do sub-prime? De ser um tipo arrogante e pouco elegante de palavras, sim. De ter feito pouca frente aos boys do PS, sim.  E de ter criado as Novas Oportunidades? E o investimento em ciência, nulo no tempo dos Cavacos, Flopes & afins? De ter investido na cultura? Querem, aliás, uma amostra do que se tem feito nos últimos tempos neste campo, recomendo que assistam ao Festival ao Largo, em Lisboa, todo o mês de Julho. Será o último, certamente. Distribuir computadores aos miúdos é mau? E o rendimento de insersão social também? E já agora, recuando um pouco, foi mau o Porto 2001? Serralves? A Casa da Música? O Euro 2004? A Expo 98? Tudo acontecimentos que os conta-tostões do PSD sempre criticaram mas que nos colocaram no mapa da existência (o que atrai verdadeiro investimento vindo do estrangeiro, de que tanto precisamos) depois de 50 anos de Estado Novo e 10 anos de Cavaco nos terem remetido para o obscurantismo social, político e económico.

 

Todos se regozijam com a queda do governo, como uma espécie de Abril dos tontos: a direita anseia pelo poleiro, a triste esquerda que temos irá estar no seu palco preferido: o jogo do bate-pé à direita. Chiquérrimo ser um antifascista do pós-25 de Abril. 

 

O PS vai perder porque os media assim o ditaram desde que um tal de Belmiro de Azevedo se aborreceu por causa de uma certa OPA falhada. Desde aí tem sido o descalabro. Lamento dizê-lo, mas os Gato Fedorento deram mais votos ao PSD que todos os seus líderes juntos conseguiram angariar desde o tempo do Toneca Guterres. 

 

Será possível? Termos precários a votar na direita? E estudantes do regime das Novas Oportunidades? E cientistas?

 

 

É muito, muito triste.

 

 

"como cegos, à beira de um barranco" 


publicado por Harpad às 20:20
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Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

Abram a pestana, seus camelos

Abram os olhinhos e abram-nos bem: estamos à beira de ser ocupados, escravizados e manipulados por interesses privados estrangeiros. Imaginem perder tudo o que andaram a construir e a poupar, tudo pelo que lutaram a vossa vida inteira às mãos de especuladores: os vossos negócios, as vossas carreiras, a segurança das vossas reformas e o conforto e a educação dos vossos filhos! Para quê? Para que os muito ricos não tenham de pagar a crise, para satisfazer a ganância dos que especulam com as nossas vidas, para enfiar no poleiro do poder os Passos Coelho deste país!

Abram os olhos, seus carneiros! Vejam bem a ilusão que vos vendem faz décadas, a ilusão do Capitalismo onde tudo é possível desde que se endividem até ao tutano dos ossos para lucro de poucos. Vejam bem se sofrem com a crise os ricos e poderosos. Vejam bem se o comércio de bens de luxo foi afectado e perceberão que são vocês, carneiros de classe média, que têm de alombar com as consequências, à escala mundial, da contínua sangria de capital dos mercados para os bolsos de muito, muito poucos.


publicado por Harpad às 22:28
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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

as cinco partes do mundo são quatro: fé esperança e caridade

Cada vez que vejo um noticiário ou folheio um jornal indeciso-me (do verbo indecidir) entre o suicídio e o genocídio. Suponho que deva agradecer aos senhores jornalistas a animação que trazem à minha vida e à dos demais mas penso que seria injusto atribuir o crédito da miséria dos cidadãos apenas a uma das muitas classes de medíocres a que está integral e inequivocamente entregue este nosso século XXI.

 

Se me é permitido um humilde desabafo, gostaria de partilhar que me sinto deambular por um mundo dominado pelo Ministério da Verdade. No entanto, ao invés da instituição lapidar da Pista Um de Orwell surge esta, ou não fosse o vigésimo primeiro um admirável novo século, elaboradaa como uma espécie de Wikipédia da História Que Mais Convém. O seu funcionamento é simples: re-inventam-se os factos históricos, espalhamo-los pela Rede e citamo-nos todos uns aos outros conforme achamos a informação adequada para o raciocínio que pretendemos desenvolver. É simples, ora atentemos em alguns exemplos:

 

Antes da crise a iniciativa privada iria salvar o mundo de si mesmo e o estado-empresa representava o futuro mais brilhante da humanidade, sendo o estado enquanto entidade pública um verdadeiro emplastro no caminho dos yuppies que iriam retirar a Humanidade das trevas – HOJE todos perguntamos onde está o estado, ei o meu subsidiozinho, ai que a saúde privada é muito cara, ui que não tenho dinheiro para os estudos dos putos, etc. O supremo argumento, a cereja no topo do bolo surgiu aquando o caso BPN: “onde, mas onde estava o Estado que permitiu tão ignobilmente que eu realizasse estas trafulhices?”

 

“SIM, EU PREVARIQUEI MAS SÓ PORQUE O ESTADO ME DEIXOU PREVARICAR. NÃO FOSSE O ESTADO E SERIA EU UM LEGÍTIMO PREVARICADOR”.

 

E mais um perfeito exemplo: aquele cromo do BPP que na semana da ruína do seu próprio banco, lançou um livro de auto-elogio! HAHAHA! Melhor exemplo de como re-inventar a história não deve existir.

 

Mas há mais, oh muitos mais, e talvez melhores casos de argumentação fictícia que se vai multiplicando como amibas num charco até se tornar numa verdade absolutamente indesmentível. Veja-se a teoria que defende que O-Laranjal-poupa-enquento-o-Roseiral-gasta-e-torna-o-défice-um-caos”. De onde vem isto? Já viram bem quanto era o défice nos anos de monarquia absoluta do Sr. D. Rei. Cavaco e a sua Dona Maria? O que andaram estes tipos a fazer na época das vacas mais gordas, quando o dinheirinho da CEE não parava de entrar e cair nos bolsos rotos de pseuso-empresários, boys e outro chupistas do aparelho laranja com zero resultados? Mais: défice democrático, hoje? Então e os secos-e-molhados, os tiros-na-ponte e mais os telefonemazinhos do Marques Mendes para a RTP a dizer “epá, olhai e o camandro…”.

 

Um clássico: “NATO foi criada para nos defender do Pacto de Varsóvia”. ESTÁ TUDO LOUCO?? O Pacto é POSTERIOR À NATO. O próprio ESTALINE pediu para aderir à NATO pouco depois desta ser formada.

 

A crise? Uma maravilha: começou no espectro mais abjecto do Capitalismo, o consumo desenfreado ligado ao crédito desenfreado para o pagar, e acaba no défice, obviamente causado pelo estado social, esse cabrão!!! HAHAHIHO!!!!!

 

Estranho é que o New Deal, que removeu os EUA da crise de 29 em conjunto com o rearmamento europeu, não era, na verdade, um plano de contenção do défice mas sim de investimento social. E esta, hein?

 

Para não falar, claro desses fabulosos modelos capitalistas internacionais: A ISLÂNDIA e a IRLANDA.

 

Não vale a pena. Estamos loucos. Não existe um Ministério da Verdade: existem milhões: cada gajo que (pensando bem, como eu) tem acesso à Rede e a um teclado inventa o que quiser para justificar aquilo que gostaria que mundo fosse por mais absurdo que seja. Os jornalistas espalham a loucura e o pânico. Já não se informa. Já não se pensa, atiram-se postas de pescada. Diz-se que tudo está na merda e, na ausência de argumento que justifique a afirmação, repete-se a mesma. Até ao partido que se quer chegar ao poleiro. Até ao meu clube de futebol ganhar outra vez o campeonato. Até conseguir comprar um telemóvel de cagagésima geração.

 

Como dizem USA Maricanos:

 

Oréver.

 

 

Viva o rei D. Cavaco I.

Viva o Capitalismo.

Viva o FMI.

 

Pim!

 

(foda-se)

 

 

 


publicado por Harpad às 23:33
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Domingo, 3 de Outubro de 2010

O século de todas as ilusões - 1

O século XXI é o século de todas as ilusões. No auge de (mais uma) crise do capitalismo eis que, perante os impávidos e embrutecidos olhos dos europeus, como gado que pasta languidamente num campo, os neo–liberais conseguiram transformar uma consequência do saque a que colocaram o mundo numa pseudo–catástrofe gerada pelo estado social. Como? Injectando, mais uma vez, nas nossas pobres, e já de si conturbadas, mentes o problema secular do défice. Fazem–nos crer que a crise se deve ao défice e este, por sua vez, assenta no incompreensível esbanjar de dinheiro para servir os pobrezinhos e outros inhos que constituem a inerte massa de quem trabalha.

 

A História deixou de existir. Pela mão de uma nova geração de políticos liberais a quem podemos apontar todos os defeitos menos o de serem portadores de ideais, sustentados por um exército de historiadores da blogosfera e dos motores de busca da Internet (mas cheios da pompa de quem é detentor da razão pura) transformou–se o pobre capitalismo numa inocente vítima desses monstros que defendem que os estados devem servir uma maioria e não uma exígua clientela com posses.

 

Para quem ainda não reparou, esta crise começou com o colapso dessa ilusão que é o american dream. Afinal, era tudo mentira: não podemos todos ter uma grande vivenda recheada de electrodomésticos de última geração, um grande carrão à entrada, uma piscina e uma consola para os putos se entreterem. Pois é. Para se ter isso tudo um tipo tem que se endividar até à ponta dos cabelos e quando são milhões a endividar–se até à ponta dos cabelos, as empresas de crédito podem começar a falir. E com elas tudo o resto, porque vivemos num castelo de cartas. E afinal o que tem que ver o défice público, as constas do estado–providência, os ordenados dos funcionários públicos (e os outros) com isto?

 

Absolutamente nada.

 


publicado por Harpad às 03:01
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Domingo, 18 de Janeiro de 2009

XXI Ocidental - I

Não consigo deixar de julgar extraordinário o modo como um uníssono coro de vozes se ergue no ar para defender o Capitalismo cada vez que um acontecimento abana as frágeis fundações deste castelo de cartas em que vivemos. Do mais iletrado dos viciados em telemóveis ao supremo intelectual neo–liberal há toda uma fauna que teme que venham os malvados dos comunas, outra vez, chocalhar o nosso plácido charcozinho. De todos os regimes sócio–económicos que existiram, exceptuando o nacional–socialismo, pois nada há de mais medíocre do que crer que os seres humanos se dividem em “raças” e que entre estas umas são superiores, o Capitalismo é o único que depende integralmente da mediocridade humana. Se os seres humanos fossem intrinsecamente bons viveríamos em Anarquia, sem necessidade de leis, governos ou fronteiras. Até o Feudalismo seria auto–sustentável, com um lorde justo, empreendedor e respeitador da vontade da plebe. Mas não o Capitalismo. O Capitalismo não só fomenta a mediocridade como se alimenta dela. Depende da ganância, da avareza, da sede de dinheiro, poder e de bens de consumo. Especular sobre o preço de bens de primeira necessidade, prejudicando o seu acesso aos méis desfavorecidos é ser–se medíocre. Especular sobre os preços dos terrenos, forçando milhões para longe das cidades em direcção a subúrbios inertes, é ser–se medíocre. Deslocalizar uma empresa condenando centenas e milheres ao desemprego para conseguir mão–de–obra barata, é ser–se medíocre. Preterir–se mão–de–obra qualificada ou recusar pagá–la com o valor que merece é ser–se medíocre. Despedir uma mulher que engravida é ser–se medíocre. Privatizar a saúde e a educação, tornando–as acessíveis apenas a uma elite, é ser–se medíocre. Consumir desenfreadamente e atolar a família em dívidas para esse efeito, é ser–se medíocre. Recusar aumentar os salários dos trabalhadores e comprar um novo automóvel desportivo, é ser–se medíocre. Forçar os contribuintes a pagar uma autoestrada e entregar a sua gestão a um privado que nada investe mas tudo recebe, é ser–se medíocre. Impedir o acesso a medicação barata, é ser–se medíocre. Dizer–se que não deve existir segurança social porque não se quer dar dinheiro a pobrezinhos, é ser–se medíocre. Um sistema que esgota a riqueza em circulação ao acumulá–la nos bolsos de poucos, obrigando famílias a endividar–se para comprar merdas de que não necessitam até não poderem pagar os empréstimos e assim gerar uma reacção em cascata de falências nos sistema financeiro, é medíocre. Um sistema que depende de catástrofes financeiras para repor a riqueza no mercado, é medíocre. Um sistema que depende da exploração de povos e países para deles extrair riqueza continuamente para compensar o endividamento e a inflação, é medíocre. Um sistema em que o humanista crítico é um pária ou, pior, um comunista, e o espertalhão um grande líder, um economista genial, é medíocre. Achar que o Capitalismo é auto–sustentável supera ser–se medíocre, é ser–se estúpido, é ser–se ignorante. Os intelectuais neo–liberais é muito que se esforçam por nos convencer de que Capitalismo e Democracia são a mesma coisa. Não são. O Capitalismo é muito superior: a sua existência demonstra que somos capazes de trocar o livre–pensamento por uma consola de jogos.


publicado por Harpad às 01:21
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Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

O rancor dos rancores

Em cada ano que passa torna-se mais notório que os direitinhas da casa se assanham contra os ideiais de Abril, ou simplesmente contra qualquer coisa vagamente de esquerda. Não estou admirado, contudo, o século XXI pertence-lhes. Aí está que depois do conturbado século XX voltaram os empregos precários (os simpléxes ou lá como se diz agora), a morte lenta do estado social, o definhar da democracia para uma autocracia rotativa entre dois partidos liberais, o aumento do preços dos bens de primeira necessidade (só verdadeiramente limitativos para o Zé Comum), o imperialismo (agora chamado de mercado global) e muitos outros fenómenos. Há muito estavam à espera, pobrezinhos dos fazendeiros retornados, dos orpimidos pelo regime Marxista imposto pelo 25 de Abril. Amanhã é o 1º de Maio. Que significa isto para o trabalhador do século XXI, essa criatura sonâmbula enterrada viva nos subúrbios, sem saber se estará a trabalhar no próximo mês, a contar tostões para comprar fraldas, pagar as contas e os impostos (e agora o arroz?!).


publicado por Harpad às 22:55
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Fominha (até) no mundo ocidental?

Admito que não estava à espera que acontecesse tão cedo mas aconteceu: os preços dos bens alimentares no mundo ocidental começou a disparar. A especulação agarrou-se aos cereais e outros alimentos essenciais como cão a quem falta osso melhor.  O que tinha aguentado os preços até recentemente era a política de agricultura subsidio-dependente dos países civilizados, já que a produção há muito se revela insuficiente para cobrir os crescentes custos de produção (a começar pelos combustíveis). Junte-se o fim desta ajuda (prioritários são os défices, não a comida) com a especulação que é a base deste nobre sistema económico em que vivemos, o capitalismo e aí está: vêm tempos de fomeca. Para nós é muito grave. Para os países em desenvolvimento é uma catástrofe. A fome já gerou muitas revoluções e guerras sangrentas mas como a humanidade não aprende, principalmente quando o que conta são os bens de luxo que são o cartão de visita do capitalismo e aos quais a populaça se agarra com unhas e dentes, sem melhor do que fazer do correr para os hipermercados aos fins-de-semana, pouco há a fazer.

 

Talvez nos faça bem voltar a aprender que há coisas muito mais importantes do que o tunning de automóveis, piscinas no quintal, passerelles, diamantes para a patroa e consolas para os putos. Talvez consigamos abrir os olhos para o facto de que a economia de mercado enriquece uma minoria enquanto obriga a mioria a contar tostões para pagar os bens de primeira necessidade, a mesma minoria que vem para os media falar para nós pobres idiotas que nada percebemos de competitividade empresarial, a mesma minoria que acha que o estado é um empecilho excepto quando os outros meninos da mesma minoria fazem batota ou quando os impostos pagam subsídios a privados e lhes dá obras públicas para executar. O mesmo tipo de corja que especula (e enriquece bem e facilmente) com aquilo de que precisamos também afunda, desmantela e deslocaliza empresas, não paga impostos sobre mais-valias bolsistas e merdas afins. Eu sei que o anti-capitalismo gera mais ódio do que todo o fanatismo religioso junto, os comunistas já o tinham percebido três quartos de século antes de Estaline sequer chegar ao poder, mas que ninguém se esqueça que há algo capaz de mobilizar muitos mais milhões em torno de uma diferente forma de ódio: a fome.

 


publicado por Harpad às 00:14
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Domingo, 25 de Novembro de 2007

A atracção pelo capitalismo - I

Este fim–de–semana um homem aproximou–se de mim enquanto eu aproveitava os últimos raios de sol numa esplanada e pediu–me uma esmola. Explicou–me que só precisava do suficiente para um bilhete de comboio para voltar para casa. É romeno, tem quatro filhos e não tem trabalho. E é engenheiro agrário. Dei–lhe os poucos trocos que tinha e tudo o mais que pude fazer foi desejar–lhe boa sorte.
 
No mesmo fim–de–semana em que surgiram na imprensa novas notícias sobre a exploração de trabalhadores portugueses em países tão civilizados e tão europeus quanto a Holanda, é caso para perguntar o que, afinal, nós, mundo ocidental capitalista, dito civilizado e democrático, temos para oferecer. Aos cidadãos–comuns, àqueles que estão na trincheira das cidades, das empresas, postos públicos, nas filas de espera de centros de emprego, segurança social e hospitais não muito, na verdade. O que acenamos diante da prole é tudo aquilo que é irrisório parente a necessidade de um homem alimentar os seus quatro filhos, são os electrodomésticos, as roupas de marca, os leitores portáteis de mp3, os telemóveis de n–ésima geração e os automóveis velozes. E fazemo–lo confiantes de que isto é a verdadeira democracia. A democracia já não é o livre pensamento nem a livre escolha dos nossos governantes mas sim a livre escolha de produtos em escaparates de supermercados e similares.
 
Nós trocamos a vida dos nossos semelhantes pelo direito ao luxo e pela crença de que um dia teremos direito aos nossos quinze minutos de glória. Fazemo–lo porque o luxo não é compatível com um estado social: o mundo capitalista vive muito acima das suas capacidades, como se pode comprovar pelo aumento da inflação, do endividamento e da necessidade de se obter um crescimento económico apreciável para que ainda consigamos ser sustentáveis. Não abdicamos do luxo em prol do investimento, da criação de emprego nem da manutenção de um estado que consiga salvaguardar o bem–estar da maioria, incluindo o dos imigrantes de quem tanto dependemos.  Quanto muito, manifestamo–nos quando as filas dos hospitais são já incomportáveis, como se estivéssemos à espera que a riqueza necessária para manter os serviços públicos essenciais caísse das árvores. Para tal, há que pagar impostos e cobrar mais aos ricos, para quem muitas leis são feitas por corrupção e favorecimento, e que claramente preferem mudar de carro a empregar mais um trabalhador quando os lucros sopram de feição. No nosso país é flagrante como os empresários preferem lanças opazinhas uns aos outros a criar sucursais, investir no estrangeiro e a permitir carreiras de sucesso aos seus trabalhadores.
 
E nós, clamamos por justiça, ou no fundo invejamos aqueles a quem a injustiça social mais favorece?

publicado por Harpad às 18:20
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