Segunda-feira, 27 de Agosto de 2012

a era da estupidez - 5

Na Suíça, agora os músicos "de rua" (sim, esse pessoal que também temos por cá) tem de se apresentar para um audição nas esquadras de polícias para receber aprovação da bófia local para poder trabalhar. Existe uma autorização em papel e tudo, que tem de estar visível ao público aquando da actuação.

 

Na esquadra, o júri é formado pelos especialistas locais em artes musicais e do espectáculo: na ausência do Abrunhosa em uniforme temos a senhora recepcionista, o equivalente suíço ao geninho de bigode ou mesmo o chefe. Enfim, quem quer que lá esteja (sim, o polícia local disse isto mesmo). Provavelmente até chamarão um ou outro reclusosito (por exemplo, um mau músico de rua detido por exercer sem licença) para debitar a sua postazinha de pescada.

 

Se eu fosse um tocador de pífaro da Rua do Carmo preferiria que me dessem duas bastonadas nos cornos, à la antiga. 


publicado por Harpad às 23:24
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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012

a era da estupidez - 4

Nos Estados Unidos, o candidato republicano ao Senado Todd Akin (candidato pelo Missouri), afirmou que, em casos de "violação legítima" (sim, legitimate rape), as mulheres dispõem de mecanismos naturais para impedir uma gravidez. Isto claro, para justificar a sua posição contrária a qualquer liberalização da interrupção voluntária da gravidez. 

 

Entenda-se, portanto, que, se uma mulher chegar mesmo a engravidar como resultado de uma violação deverá tratar-se de uma rameira que, certamente, não só apreciou o acto como estava, de facto, a pedi-las.

 

http://www.youtube.com/watch?v=Oazj5UVDxyM


publicado por Harpad às 20:48
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2012

doces carneiros

Ao contrário do que muito se discute nos dias de hoje, creio que a famosa iniciativa de promoções empreendida pelo Pingo Doce no passado 1º de Maio foi um acontecimento bastante positivo, pois fez incidir sobre nós, povo, a magnânime luz da realidade. Em primeiro lugar, há que louvar o próprio Soares dos Santos (SDS), ou quem quer que da sua esfera de doutos pensadores, pela brilhande ideia de realizar o evento nesse preciso dia. Num outro dia dia qualquer seria simplesmente acusado de "dumping". Assim, conseguiu, ao mesmo tempo, irritar o Belmiro, agrilhoar os seus trabalhadores (perdão, colaboradores, que isso de "trabalhar" é feio) e transformar a celebração do dia do trabalhador numa patacoada que, às costas dos jornaleiros do costume (sim, leram bem), reduziu as notícias do dia (e seguintes) à promoção de uma cadeia de lojas. Conseguiu até fazer com que os deputados se sentissem livres para discutir contas de supermercado na Assembleia da República quando, anteriormente, o pudor lhes permitia apenas passar as manhãs a rabiscar a lista de legumes, acepipes e champô para a caspa, a levar para casa no fim do dia (antes escrevia-se a lista de compras num pedaço de cartão rasgado de um maço de SG Gigante, hoje os deputados podem até tuitár sobre a promoção de fraldas para incontinentes do Pão de Açúcar).

 

No entanto, O SDS, conseguiu mais, muito mais do que reduzir o dia do trabalhador a publicidade gratuita à cadeia de supermercados a que preside. Conseguiu demonstrar que o dia que marca a luta dos trabalhadores pelos seus direitos de nada vale. Salazar nunca conseguiiu tanto: limitou-se a proibir a coisa. O SDS conseguiu ridicularizá-la. Conseguiu demonstrar que os portugueses, esses pobrezinhos, coitaditos, não passam de carneiros de que elites dispõem como entendem. Este é tembém é o tipo que não há muito tempo queria criar cursos (pagos do seu próprio bolso... o mãos largas!) para ensinar os seus "colaboradores" a gerirem os seus ordenados humilhantes.

 

Agora imaginemos o seguinte: cem euros representa uma boa soma, demasiado grande para os bolsos dos verdadeiramente necessitados. Seguramente muitos destes não poderão dispender tanto dinheiro de uma só vez. Quem terão sido, então, os principais clientes do SDS no primeiro de Maio? Em boa parte, talvez uma classe média com medo do amanhã. Talvez. Mas das lojas voram também garrafas de bebidas espirituosas. Muitos clientes admitiram que gastaram ali muito mais dinheiro do que alguma vez pensariam e boa parte em merdices que pouca falta lhes fazem. O que aconteceu, então? Simples: mais uma vez, lá foram os carneiros armados em xicos-espertos, para onde os mandou o pastor. 

 

Promoções? Méééé. Austeridade inevitável? Méééé. A culpa é do Sócrates? Méééé. Fio dental extra encerado com efeito branqueador agora apenas a um euro e noventa e nove? Méééé.

 

Aquilo que o SDS fez foi medíocre, pensado por um medíocre para outros medíocres. O governo da santíssima trindade Portas-Coelho-Relvas (PCR) não compreende o exagero: afinal é uma estratégia de negócio perfeitamente limpa. E é. Tal como a agiotagem do FMI, tal como as negociatas com activos tóxicos (lembram-se, despoletou esta crise -  não a dívida soberana), tal como pagar odenados de treta, tal como mover sedes para paraísos fiscais, tal como comprar um jacto para uso particular mas facturá-lo à empresa para fugir aos impostos. Tudo isto é legítimo. Tudo isto é medíocre. Tudo isto é Capitalismo e, convenhamos, o Capitalismo assenta muito muito bem aos carneiros.


publicado por Harpad às 00:16
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Terça-feira, 1 de Maio de 2012

A era da estupidez - 3

E o nosso coelho-ministro vai acumulando afirmações que ficarão guardadas nos anis da História. E a de hoje é: os portugueses têm de se habituar a níveis de desemprego a que não estão habituados.

 

Magnífica frase para um Primeiro de Maio.

 

Depois do célebre conselho enviados aos portugueses ("emigrem"), eis, portanto, mais uma indiscutível prova de que este indivíduo conseguiu "corajosamente" (sic) ir mais além do que a simples desistência de governar o país: conseguiu demonstrar que se está, efectivamente, borrifando para esse propósito (e que sempre esteve). Afinal, o laranjame já tem o que quer: tachos, PPPs à maneira e agradar àqueles que têm contas a fazer com os direitos conquistados por Abril.

 

Com a vossa licença, puta que pariu.


publicado por Harpad às 22:04
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Quarta-feira, 11 de Abril de 2012

A era da estupidez - 2

... sacanas!... e não é que esta canalha quer viver mais do que recomenda o FMI?...

 

De acordo com o El País, 'El FMI pide bajar pensiones por "el riesgo de que la gente viva más de lo esperado".'

 

não pode ser não pode não pode não pode não pode não pode não pode não pode não pode não não não não pode ser não pode não é possível não pode não pode

 

não                                                  NÃO

 

po                      PO                                     DE

 

de                                     

                                           SER                                      !!!

ser

 

 

Mein Gott!

 

боже мой!

 

Mon Dieu!

 

Oh my God!

 

Dios mio!

 

Valha-nos Cristo!

 

Ω Θεέ μου!


publicado por Harpad às 23:05
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Quinta-feira, 29 de Março de 2012

A era da estupidez - 1

O meu grande objectivo, de hoje em diante, será registar os inúmeros episódios de óbvia falta de inteligência que assola esta nosso admirável mundo (que nem por isso traz algo de novo). Espero um dia ser reconhecido (caso a humanidade sobreviva a esta hecatombe) por esta hercúlea tarefa. Serei um Zurara da mediocridade e a História far-me-á justiça, pois sem um cronista deste tema, jamais alguém acreditaria que isto aconteceu na realidade.

 

 

Aqui fica a amostra de hoje:

 

 

"[Cabe à PSP] acompanhar e analisar as notícias produzidas pelos órgãos de comunicação social e, consoante os assuntos noticiados, encaminhá-las para os competentes órgãos da PSP, sugerindo estratégias de combate às menos positivas." Fonte: Público.

 

 

Interpretem este excelente pedaço de literatura democrática como entenderem. Para onde quer que atire, é estúpido.


publicado por Harpad às 22:50
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

...ora aí está...

Proponho que sejam passadas em revistas todas as grandes vitórias do neo-liberalismo português, encimado por este nosso novo governo que tanto nos afoitámos por eleger:

 

1) Acabaram-se a saúde, educação e transportes verdadeiramente públicos e gratuitos ou de custo simbólico.

2) Acabaram-se os despedimentos com justa causa. Ficaram só os despedimentos.
3) Acabaram-se com as indemnizações dignas desse nome por despedimento seja de que tipo for.

4) Acabaram-se as férias pagas.

5) Acabou-se o conceito de bem de primeira necessidade. A electricidade é cara, o gás também, a água para lá caminha. Privatize-se o ar também, porque não.

 

Em troca recebemos:

 

1) Menos ordenado.

2) Maior carga fiscal.

3) Menor poder de compra.

4) Pior qualidade de vida.

 

E para quê, afinal? Para que os Amorins, Azevedos, van Zelleres, Mellos, Balsemões e outros figurões não paguem impostos em condições.

 

Assim sendo, todo um século de vitórias conseguidas a ferro pelos povos foi definitivamente enterrado. Eis-nos, portanto, regressados ao século XIX. Um detalhe curioso, contudo: no século XIX os estados já estavam endividados. Aparentemente,já então, esta merda toda de nada mais serviu, serve ou servirá, do que a manutenção do status quo de um punhado de ricos. 

 

 

Sugiro que acordemos.  Dia 15 para a rua.


publicado por Harpad às 00:14
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Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

a falácia das privatizações

Deixo aqui este interessante vídeo sobre privatizações, medida de que o nosso actual governo tanto aprecia. O filme, em forma de documentário, diz respeito às medidas de privatização adoptadas pela administração Menem na Argentina, há alguns anos atrás. Relembro de que se trata do mesmo país que, algum tempo deois, mergulhou numa das mais severas crises económicas da história contemporânea, uma crise que, como nos devemos lembrar, faz a Grécia nos dias de hoje parecer um paraíso capitalista.

 

O vídeo tem origem no Brasil, tendo sido elaborado como resposta às medidas propostas pelo então candidato adversário de Lula, José Serra. As analogias que se podem retirar para as actuais propostas do nosso coelho-ministro e sua corte são aterradoras. Meditemos, portanto.

 

 


publicado por Harpad às 00:34
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Terça-feira, 12 de Julho de 2011

os abutres e as alforrecas

...e eis que - não ao sétimo, nem ao mesmo oitavo, mas ao fim de incontáveis dias - a implacável inércia da aristocracia política, social e económica da Europa se levantou! Às armas que a Itália está sobre fogo! Às armas que a especulação financeira nos estrangula! Às armas que tenho casa à beira do Lago Como!...

 

Não entendo:

 

-mas a especulação financeira não é a mãe, o pai, a avó e o gato Tareco deste glorioso mundo capitalista?

 

-a economia privada, ao invés de destruir nações, não iria levantá-las do chão para a glória do deus Capital?

 

-Portugal não fará parte da União Europeia, que nada fez para impedir este ataque? Tal como a Grécia? Tal Como a Irlanda?

-Portugal não faz parte da NATO, organização humanitária gerida pelo país que pretende destruir o Euro para não competir com o seu sobrevalorizado e ultra-especulado Dólar?

 

Bartoon por Luís, de 11 de Julho. Retirado do Público.

 

 

... e também...

 

-mas não é o Sócrates o culpado disto tudo?

 

-o governo não tinha caído pela excessiva severidade de um PEC qualquer? (Já vamos na versão quê? Cinco?)

 

 

 

 

 

 

 


publicado por Harpad às 01:16
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Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

como é possível

Pois é, a acreditar nas sondagens, Portugal vai guinar, forte e feio, à direita, já no domingo. 

 

Será possível que os portugueses vão colocar no poder a mesma mentalidade (não arriscarei usar a palavra ideologia aqui, pois o partido que lidera as sondagens não a tem, nem nunca a teve) que causou a crise de 2007? A mesma mentalidade que gere esta triste Europa há anos? Será que é preciso remlembrar que as Merkels, os Sarkozys, os Berlusconis e muitos, muitos outros, não são exactamente socialistas? Será que é preciso relembrar que aqueles que não foram, nem são (nem serão) afectados pela crise ou quaisquer medidas de austeridade, como os Pintos-Balsemões, os Espíritos-Santos e outros, não são são propriamente Marxistas-Leninistas?

A culpa é do Sócrates? De quê? Da gripe das aves? Do Tsunami no Japão? Da crise do sub-prime? De ser um tipo arrogante e pouco elegante de palavras, sim. De ter feito pouca frente aos boys do PS, sim.  E de ter criado as Novas Oportunidades? E o investimento em ciência, nulo no tempo dos Cavacos, Flopes & afins? De ter investido na cultura? Querem, aliás, uma amostra do que se tem feito nos últimos tempos neste campo, recomendo que assistam ao Festival ao Largo, em Lisboa, todo o mês de Julho. Será o último, certamente. Distribuir computadores aos miúdos é mau? E o rendimento de insersão social também? E já agora, recuando um pouco, foi mau o Porto 2001? Serralves? A Casa da Música? O Euro 2004? A Expo 98? Tudo acontecimentos que os conta-tostões do PSD sempre criticaram mas que nos colocaram no mapa da existência (o que atrai verdadeiro investimento vindo do estrangeiro, de que tanto precisamos) depois de 50 anos de Estado Novo e 10 anos de Cavaco nos terem remetido para o obscurantismo social, político e económico.

 

Todos se regozijam com a queda do governo, como uma espécie de Abril dos tontos: a direita anseia pelo poleiro, a triste esquerda que temos irá estar no seu palco preferido: o jogo do bate-pé à direita. Chiquérrimo ser um antifascista do pós-25 de Abril. 

 

O PS vai perder porque os media assim o ditaram desde que um tal de Belmiro de Azevedo se aborreceu por causa de uma certa OPA falhada. Desde aí tem sido o descalabro. Lamento dizê-lo, mas os Gato Fedorento deram mais votos ao PSD que todos os seus líderes juntos conseguiram angariar desde o tempo do Toneca Guterres. 

 

Será possível? Termos precários a votar na direita? E estudantes do regime das Novas Oportunidades? E cientistas?

 

 

É muito, muito triste.

 

 

"como cegos, à beira de um barranco" 


publicado por Harpad às 20:20
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Domingo, 29 de Maio de 2011

o grande feito neo-liberal

Torna-se cada vez mais evidente que o debate político ganha contornos futebolísticos. Fala-se de "esquerda" e "direita" como se se falasse de "Porto" e "Benfica" ou "Benfica" e "Sporting". Etc. De um lado temos os "vermelhos" que, convenhamos, pouco ou nada mais têm apresentado do que demagogia e repetitivismo. Do outro lado temos os neo-liberais, a direita política e social, que parece basear os seus argumentos em tudo menos nos factos, na história e na simples aritmética. Aparentemente, será esta gente que os portugueses irão eleger para o próximo governo, tal como muitos outros europeus antes o fizeram. Ou não. 

 


O problema de Portugal não é apenas um problema de Portugal. A globalização assim o dita. O problema é mundial e está enraizado na própria essência do neo-liberalismo: o laissez-faire, o individualismo, a ganância, a riqueza imediata, todos conceitos-pilar de um sistema económico sem hipótese de futuro mas, admitamos, atraente para a grande maioria da população humana. 

Para os economistas liberais, dois mais dois não são quatro. Podem ser cinco. Ou mesmo seis. Ou talvez três ou zero se os mercados assim o entenderem. Quando forem menos que quatro, o problema resolve-se pedindo crédito. A assim rebentou a bolha do sub-prime: mais de meio século da imposição dessa ilusão que é o american dream ao proletariado: tenha uma casa enorme, uma piscina, consolas para os putos, mude de carro todos os anos, vista roupa de marca. Não o pode pagar? Não faz mal. Aceitamos crédito. 

Há que admitir mérito na estratégia neo-liberal. Ao invés de reformar o capitalismo e de devolver a esse mercado que o mantém realmente a funcionar - a classe média - a riqueza que tem vindo (e continua) a ser acumulada por muito poucos pelo mundo fora. Acumulada por drenagem, literalmente da classe trabalhadora. Pois. Dois mais dois continuam a ser quatro e o dinheiro não cresce nas árvores: se entre duas pessoas existirem duas moedas, para que uma tenha duas a outra tem zero. Simples. Um economista diria que não mas também, os economistas são os tipos que ganham prémios-nobel por introduzirem o comércio da poluição. 

 

Poder-se-ia introduzir um sistema de reformas que refreasse a oferta de crédito ao desbarato, a especulação financeira e o apelo ao consumismo desmesurado, entre outras medidas. Nada foi feito por se tratarem de conceitos avessos ao laissez-faire. Poder-se-ia obrigar os muitos ricos a pagarem impostos a valer sobre as suas desmesuradas fortunas. Como alternativa, investir em actividades que criassem verdadeiros postos de trabalho, a troco de regalias fiscais. Nem pensar. O bolso é o órgão onde mais lhes dói. Em Portugal, estamos há demasiado tempo dependentes da mesma economia corporativista que governava a Outra Senhora. Sim, é verdade, Belmiros, Champalimauds e muitos outros já se sentavam à mesa do Estado-Novo. Mas a culpa é dos portugueses que são pouco produtivos. A culpa é dos impostos. A culpa é do estado. A culpa é to Sócras. A culpa é da CGD. A culpa é dos sindicatos. A culpa é do Trocas-te. A culpa é dos cabrões que querem ter ordenados mínimos, contratos de trabalho, despedimentos com justa causa e indemnizações e outros conceitos totalmente avessos ao ideal empreendedorista neo-liberal, sempre atreito a ao lucro fácil e imediato mas nunca à noção de que, espremendo a classe média, acaba-se a economia de mercado porque deixa de haver poder de compra. Afinal tudo se resume a uma linha: a classe trabalhadora que alombe com a austeridade para que os ricos continuem a enriquecer.

 

É isto. 

 

E apenas isto.

 

Dúvidas? Foram publicadas recentemente as listas dos mais ricos do mundo - lá estão todos e mais ricos ainda. Afinal, quem se fodeu (desculpem a expressão) com a crise iniciada em 2007?

Elejamos, portanto, o Grande Coelho Laranja para novo líder de um barco a afundar-se com o peso, não do estado, mas do liberalismo. Engulamos as falácias capitalistas de austeridade, entreguemos os direitos pelos quais lutamos há tanto tempo. Escutemo-lo a apresentar o seu programa eleitoral ultra-liberal a prometer mais austeridade do que o próprio FMI considera necessário. Deleitemo-nos a tentar explicar porque é que os portugueses deviam pagar, e bem, pela saúde privatizada, esse direito essencial para quem o pode pagar, entre outras medidas similares. Isto ajuda o capitalismo? Como é que tal sucederá com mais uma machadada no poder de compra da classe média? Ouçamos este betinho de Massamá divagar sobre as Novas Oportunidades, chamando a este alunos de medíocres, quando ele próprio tirou o seu curso (em oito anos, consta) em que universidade? Lusófona? Do Atlântico? Quem é este fantoche de ricos e poderosos, afinal? Mas quem é este indivíduo, afinal? Quem são os tipos que o seguem? Quem são os titeteiros atrás dele? Já agora, quem são estes comentadores políticos, economistas de treta, jornalistas e outros bardamerdas que tal, que de cada vez que abrem a boca ajudam a enterrar o meu país no lodaçal da especulação financeira internacional? Quem são estes gajos a quem não reconheço mais inteligência, clarividência, conhecimento ou seja o que for, do que a mim próprio, para governar um país, modificar mentalidades ou impôr candidatos?


Meus caros, o neo-liberalismo terá, quanto muito mais dez anos de vida. É inevitável: todo o mundo capitalista flutua sobre riqueza que não detém para que muito poucas famílias se possam continuar a sentar no topo do mundo. Tudo o resto, com a vossa licença, é conversa de merda.  


publicado por Harpad às 22:17
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Sexta-feira, 27 de Maio de 2011

sobre a higiene urbana em Espanha

Pois é, aparentemente, há vários dias que se amontoava uma enorme pilha de lixo na Praça Catalunha. De acordo com os responsáveis pela higiene urbana, a maior parte deste lixo era constituído por um tipo de dejecto nefando intitulado de "pessoas".

A polícia local, os "Mossos D'Esquadra", conseguiu remover tal imundície bastonando os indesejáveis, divididos por classes como "jovens", "idosos" e "famílias", entre outros. Segundo o cacique local, há que limpar o local para os festejos da vitória do Barça sobre o Man United, a suceder não sei bem quando. 

 

Ainda bem, assim sempre se evita a disseminação de maleitas potencialmente pandémicas como "pensar" e "protestar".

 

Veja-se, por exemplo, aqui.


publicado por Harpad às 19:04
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Quinta-feira, 26 de Maio de 2011

...já agora...

Gostaria que o senhor Coelho me indicasse o nome de alguns prémios Nobel em ciência que tivessem desenvolvido o trabalho pelo qual foram laureados sendo financiados por empresas. 

 

É que assim de repente, de repente, não me lembro de algum...


publicado por Harpad às 00:14
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

morte ao conhecimento

O Grande Coelho Laranja já anunciou que vai retirar financiamento à ciência, a começar pelos post-docs que têm o seu lugar, sic, é nas empresas. Esquece-seeste senhor que as empresas não fazem investigação fundamental porque não dá lucro e mesmo a maior parte da investigação aplicada é feita em universidades e laboratórios do estado. Quanto muito, algumas (poucas, principalmente por cá) pegam no conhecimento produzido, nessas pequenas e pequenas peças de ciência e aplicam-no em algo que possa ser comercializável. Exemplo: farmacêutica. Explicar a este indivíduo e seus semelhantes de cor o que é ciência é inútil e cansativo porque não lhe(s) reconheço capacidade de apreensão e compreensão para tal mas possa dar um um exemplo: a descoberta da dupla hélice de DNA não foi exactamente patrocinada pela Coca-Cola. Abramos um telemóvel: as peças são concebidas e criadas por uma empresa mas a ciência fundamental atrás do seu financiamente foi, garanto absolutamente, financiada por um estado qualquer e produzida por miríades de investigadores, a maior parte deles anónimos e precários. E Portugal e por esse mundo fora - até nos ultra-liberais EUA.

Os investigadores pós-doutorados e os estudantes de doutoramento são, efectivamente, a força motriz do conhecimento científico no mundo inteiro. Esta alimária, na falta de melhor nome, quer acabar com eles? Comigo, pois encontrom-me nesta situação? Muito bem. E quem vai produzir conhecimento? Talvez o próprio betinho de Massamá. Talvez esse devesse trocar de lugar com um de nós por uns meses, por um ano ou dois. Passar-lhe-ia o neo-liberalismo assim que experimentasse pedir um empréstimo para uma casa, concorrer a uma bolsa, ver um cargo recusado por sobre-formação académica ou ver os medíocres ocuparem todos os belos tachos na função pública enquanto tipos com valor não passam de bolseiros pós-docs: sem férias, sem 13º e muito menos 14º mês, sem direito a subsídio de desemprego, sem ver a sua carreira oficialmente reconhecida como tal. Mas pelo menos temos tido oportunidade de trabalhar! E como trabalhamos - A produção científica em Portugal, muitos desconhecê-lo-ão está entre as melhores das melhores.

 

E não há problema. Nós até ficamos felizes com a nossa bolsa paga por fundos públicos e da União: assim podemos produzir ciência, publicá-la e, passinho a passinho, fazer alguma coisa pela humanidade. Assim têm feito todos os que se dedicam à Ciência desde que a Humanidade aprendeu a pensar. Assim se tem conseguido fazer com que os idiotas deste mundo tenham mais quarenta anos de esperança média de vida comparativamente aos idiotas da Idade Média. Talvez um dia o Grande Coelho Laranja e os acéfalos que o seguem, quando tomarem um medicamento, quando utilizarem um electrodoméstico, conduzirem um veículo ou pensarem porque motivo o DDT foi proibido se lembrem de que existe uma massa anónima de gajos a trabalhar para eles por pouco dinheiro, muito esforço, nulo reconhecimento e sem lucro ou hipótese de tal - financiados pelos contribuintes a quem efectivamente servimos - os mesmos que vão colocar esta escumalha neo-liberal no poder?...


publicado por Harpad às 23:17
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Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

o asco - 3

... da esquerda à direita do parlamento... tudo sorrisos de felicidade - uns porque brincam às revoluções, outros porque lhes cheirou o poder. Da esquerda à direita do parlamento, no dia em que o governo caiu, os que elegemos como oposição deixaram-nos nas mãos do FMI, do BCE, da fräu Merkel e merceeiros do mesmo calibre; enfim, de mais austeridade sobre as classes média e baixa. Fizeram-no por três motivos apenas: o politiqueirismo, o populismo e pela fome de poder. Até a esquerda, com a qual o próprio autor desta merda de blog supostamente se deveria identificar, sempre tão afoita de apregoar o melhor interesse pelos portugueses, não hesitou em nos entregar ao descalabro. Para quê, afinal?

 

Ficámos melhor? Não.

 

Ficaremos melhor? Não.

 

...excepto, avaliando pelas sondagens, quem militar no laranjal...


publicado por Harpad às 23:50
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Sexta-feira, 25 de Março de 2011

XXI Ocidental - III

Interrogo-me frequentemente quem terá nomeado os doutos políticos, jornalistas, economistas e outros especialistas que nos bombardeiam em cadência horária com as suas opiniões, comentários e razões. Todos opinam, todos se fundamentam com o quer que lhes pareça conveniente mas a verdade, a história, essa, permanece intocada, encerrada no seu túmulo.

 

A essência do neo-liberalismo é o curto-prazo. Na verdade, este é o único conceito que as massas entendem. O lucro que preciso, hoje. O carro novo que quero, hoje. O belo tacho, hoje. Enfim, pode-se resumir esta essência numa palavra bem portuguesa: o Desenrascanço. As causas políticas e sociais do estado de Portugal, da Europa e do mundo capitalista em geral são também assim justificadas, diante da vista grosseira do curto-prazo.

 

Para os comentadores, tudo é simples. O país está doente. A causa: Sócrates. A solução: privatizar o que se pode privatizar, flexibilizar o mercado de trabalho, enfim deixar cair o estado social e transformar o mercado de trabalho num antro de precariedade. Mas já lá iremos. O pensamento neo-liberal, como já referi, é totalmente incapaz, por natureza, de formar um raciocínio numa escala de tempo mais alargada do que o prazo de governo. Esquecem-se os comentadores, no entanto, de vários dados importantes:

 

1) Quem nos transformou num paraíso da mão-de-obra barata para os empresários alemães foi o douto Cavaco, actual PR. Previsivelmente, para todos com mais testa do que o vulgar capitalista, o alargamento da UE a lesta trouxe, a médio prazo (lá está), um mercado de trabalho apetecivelmente mais barato. Será difícil recordar o fecho, quase diário de fábricas pertencentes a multinacionais centro-europeias há alguns anos atrás? Quantas vezes vimos os telejornais abrirem a sua emissão com imagens dos trabalhadores desolados à entrada de uma qualquer fábrica têxtil de onde os patrões, em muitos casos, tinham já retirado o equipamento sem que os operários soubessem sequer das intenções de encerramento? A culpa foi do Guterres? Do Sócrates? Não.

 

2) Caro precário: quem inventou os recibos verdes não foi o PS. Foi o PSD, mais uma vez, nas mãos do douto Cavaco.

 

3) Para continuar a falar deste senhor, convém relembrar que foi durante os seus mandatos que assisti a cargas da polícia sobre manifestantes. Exemplos: secos e molhados. Também foi graças a este senhor e à senhora Ferreira Leite que fiquei conhecido como “rasca” (sim, eu estava lá, mas não mostrei nenhuma parte impúdica de mim mesmo). Fala-se hoje de manipulação da imprensa. Esquecemo-nos dos falados telefonemas de um tal de Marques Mendes para a RTP?

 

4) A nossa economia não está na mão do estado. Muito menos nas mãos dos trabalhadores. Ao contrário do que pensa um fedelho qualquer do CDS que não me lembra agora o nome, não vivemos num PREC nem mesmo pós-PREC. A nossa economia continua a pertencer aos Mellos, Champalimauds, Espírito-Santos, Azevedos, Martins, e outros mais ou menos brasonados que já se sentavam à mesa do Estado Nove e que simultaneamente o alimentavam e dele se nutriam. Fugiram de medo com o 25 de Abril para viver vidas de exílio faustoso no Brasil, para regressarem pelas mãos do senhor Soares, com uma generosa recompensa monetária, diga-se. Estes senhores estão cada vez mais ricos. Quem tem dúvidas tenha a bondade de consultar as estatísticas dos mais ricos de Portugal reveladas recentemente. Curioso ninguém questionar estes clãs sobre a sua responsabilidade na economia e negócios deste país. Curioso também que a ninguém pareça obsceno que estes senhores enriqueçam desmesuradamente enquanto a classe média se encolhe. Curioso que ninguém se indigne com a mudança da Sede do Pingo Doce para a Holanda, para que assim o dinheiro dos clientes portugueses sirva apenas para o pecúlio dos contribuintes holandeses. Ninguém pergunta também, se a economia este tão má e se é preciso flexibilizar o mercado de trabalho, porque motivo os bancos de cá continuam a bater recordes de lucro e têm tantas benesses fiscais. Talvez devêssemos também perguntar sobre os esquemas de mascarar lucros através de pseudo-empresas subsidiárias, constantemente em falência técnica, de que se blindaram os grandes grupos económicos para não pagar impostos. Curiosos que esta gente venha regularmente, e principalmente através dos PSDs, exigir que se precarize ainda mais a mão-de-obra quando, aparentemente, dinheiro não lhes falta o luxo. São os nossos intocáveis, medrosos apenas da memória dos dois únicos casos, em toda a história da humanidade, em que os verdadeiramente poderosos verdadeiramente perderam: 1789 e 1917. Enoja-me pensar que um partido dito socialista também nada tenha feito para contrariar os todo-poderosos mas não me surpreende quando nem Guterres nem Sócrates os tiveram no sítio sequer para fazer frente aos seus próprios "boys".

 

5) “Devemos pagar devidamente aos trabalhadores pois eles são os consumidores”. Não, não foi Marx quem o disse. Nem Engels. Nem Lenine, Trotski, Cunhal ou mesmo Robespierre. Quem o disse foi um dos maiores capitalistas de todos os tempos, um tal de Henry Ford. Um indivíduo modelar enquanto empreendedor, ao conseguir encher-se de dinheiro nazi antes da entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial e, depois disso, dos contribuintes norte-americanos, cerca de 400 000 mil dos quais nunca regressaram à sua terra. Este pressuposto há décadas que foi esquecido e recalcado, mesmo depois da crise de ’29, causada pela falta de escoamento de produtos norte-americanos para um Europa em ruína absoluta. Mais uma, o pensamento a curto-prazo em acção: hoje aumenta-se o IVA, corta-se nos salários, obriga-se o cidadão comum a pagar por saúde, educação e transportes privados. Parece interessante mas alguém se deve estar a esquecer do efeito a médio prazo que retirar poder de compra aos cidadãos-comuns irá colapsar o comércio do qual toda a economia depende.

 

6) Porque quer, assumidamente ou não, a direita o FMI? Simples: trata-se da peça que faltava para o paraíso governativo. Já lhes cheira a maioria absoluta, têm um presidente amigo ou que, no mínimo, não chateia, podem culpar tudo no Sócrates e fazer nada pela qualidade de vida dos cidadãos dizendo que nada podem fazer, que o FMI manda e o BCE quer. Quem ganha com isto? Os PSDs e a nata da sociedade por trás deles (vede acima).

 

7) Salazar era um gajo tão porreiro e liderou tão bem que um milhão de Portugueses se foi embora do país, seguramente sem o intuito de ensinar ao resto do mundo o benzito que se fazia em Portugal. É também curioso pensar que esses senhores e os descendentes constituem uma amostrinha do mais conservadorzito e retrógrado que por aí anda. Andam também por aí uns mentecaptos que dizem que isto estava melhor antes do 25 de Abril. Nem antes do 25 de Abril nem há 20 anos atrás. Éramos no tempo da Velha senhora e da maioria absoluta do senhor Dom Cavaco, mais acomodados, sem as chatices de eleições, oposições sem ter direito a essa suprema complicação que é a capacidade de pensar. Aparentemente, o comodismo faz muita gente feliz.

 

8) Foi um golpe de génio, há que admiti-lo: transformar uma crise do capitalismo numa crise do estado social. O senhor Daniel Bessa que me desculpe, mas não lhe reconheço mais inteligência, sapiência ou outra ciência do que a mim próprio para engolir esta e outras. Não interessa, contudo. Façamos as contas a todos os défices de todos os países capitalistas do mundo e percebamos que vivemos num castelo de cartas que mesmo com este tipo de tapa-remendos não tem mais do que uma geração de vida. Seria dispensável mas parece inevitável: ninguém aceita reformas no sistema económico nem os ricos deixam que lhes vão aos bolsos. Enquanto isso, a riqueza continua a desaparecer dos mercados até ao final rebentar da bolha.

 

9) Criar ricos gera pobreza. Lamento mas é uma verdade aritmética. Um mais um são dois, independentemente de o capitalismo permitir que possam ser três, quatro ou mesmo zero, conforme a disposição dos mercados. Para alguém ter dois euros num mercado com três para três pessoas, há alguém que se fode. No mundo em que vivemos, isso resolve-se pedindo dinheiro emprestado. Até quando? Quem duvidar que atente nas causas da crise: a falência do pequeno crédito, usado pelo cidadão-comum norte-americano para se abastecer das futilidades apregoadas como parte do “american dream” precisamente porque não pode pagar esse mesmo sonho que, afinal, não passa de um grande embuste.

 

10) Há uma geração inteira à rasca. E uma outra que teve o 25 de Abril porque um punhado de militares lhes ofereceu. Seguiram-se os tachos na função pública, nas melhores empresas, as reformas, uma vida confortável. E nós, seus filhos? Comemos com os recibos verdes, as bolsas, o desemprego, os call-centers, essa aberração que é o "out-sourcing" e na volta ainda os contratos "orais" de que andou para aí a falar o betinho que aparentemente vai ser o fututo PM. 

 

11) Nós somos nada. Somos mão-de-obra barata. Somos mercado de futilidades. Somos precários. E para quê? Para aumentar a margem de lucro de uns poucos. E somos burros. Muito burros. Burros porque nos aborrece pensar. Burros porque deixamos outros pensar por nós. Burros porque os políticos que deixamos que nos liderem são medíocres, tal como os que se lhes opõem. Sim, porque não é a esquerda "chic" da brigada anti-gravata (espécie de antecâmara dos PSDs) nem o repetivismo norte-coreano quem vai agregar os descontentes deste país, ou outros. Neste século não há cérebros nem líderes. Apenas cegos, à beira de um barranco.

 

Resta-me contratular por ninguém se interessar por nada do que aqui escrevo. Se vivêssemos no tempo da Velha Senhora, estaria já a caminho do Aljube.

 


publicado por Harpad às 23:41
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Terça-feira, 22 de Março de 2011

e eles que até já salivam

A imprensa está radiante, amanhã poderá ter a vitória que há tanto almeja: a demissão do governo. Demorou, diga-se. Tem sido uma batalha árdua desde a estória do inglês técnico. A ideia é simples: o povo vota, os jornaleiros decidem quem realmente fica. A grande ilusão, contudo, fica para aqueles que verdeiramente salivam de tanta fome de poder: o PSD, evidentemente. Compadeçamo-nos com toda a justiça, afinal, os pobrezitos filiaram-se num partido esperando tirar dividendos e acabam em anos de fome de poder. Julga o Grande Coelho Laranja (GCL) que vai encontrar o paraíso: o governo demite-se, ele ganha as eleições com as melhores condições de governo laranja possível: um presidente da mesma cor, na melhor das hipóteses um amigo e na pior o inútil que tem sido; o FMI a puxar as verdadeiras cordas do país e as culpas de tudo a serem arremessadas sobre o Sócrates e compadrio.

 

Engana-se. Em primeiro lugar, o PEC não está sujeito a votação e o PM tem autoridade para passar por cima dos partidos da oposição e aprová-lo na mesma. Crise política pode surgir depois, é verdade, mas irá provavelmente aumentar em proporção inversa à popularidade do GCL, incluindo dentro do seu próprio partido. Pode também acontecer que os portugueses não sejam tão burros quanto o GCL pensa e realmente percebam que, com FMIs, a sua qualidade de vida vai cair no abismo em nome da dívida, da flexibilização do trabalho e artimanhas afins sem mais utilidade que aumentar a margem de lucro dos urubus do costume. Podem também começar a perceber que o PSD foi o partido que nos transformou no paraíso de mão-de-obra barata e dos recibos verdes, na época dos Cavacos, em que o dinheiro da CEE caía a rodos para que deixássemos de produzir o quer que seja que competisse com os alemães. Pode ser também que os portugueses percebem que o GCL pouco mais é do que um betinho sem carreira de qualquer género, de pobre formação académica (outro!), demagogo e sem ideias. Enfim, mais um menino jotinha e janota.

 

Mas pode ser o governo caia e que o GCL ganhe eleições. Nesse caso, vejamos: não terá maioria absoluta e verá a vida infernizada pela oposição. Verá a manifestação dos "à rasca" multiplicada por mil, principalmente se fizer com que o FMI cá entre e, ainda por cima (ha ha ha) terá de aplicar o PEC IV na mesma, porque Bruxelas já disse que a coisa está bem assim e não é para mexer (não tem graça mas um pouco de sarcasmo não mata). 

 

Dou-lhe seis meses. Para nosso bem e talvez para bem dele próprio. A fominha de poder dos PSDs é de tal ordem que, em vez de deixarem o PS governar e atolar-se na contestação mas, pelo menos, livrar-nos do absoluto desastre económico e social, querem já enfiar-se no mesmo atoleiro. Quem perde somos nós, rascas ou não, mas sempre à rasquinha. 


publicado por Harpad às 21:55
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Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

afinal parece que

o conceito de Democracia, para tipos como o Pacheco Pereira é como a cor dos modelos T para Henry Ford: "podem escolher a cor que quiserem, desde que seja preto".

 

Pois é. A CIA mentiu sobre os motivos que levaram à invasão do Iraque (que novidade), baseados nas mentiras (pelos vistos já sobejamente conhecidas) de um tipo que diz que derrubar um tiranete justifica a morte de muitos milhares de seus conterrâneos, fome, miséria, ocupação estrangeira, terrorismo e funtamentalismo religioso (como alternativa a ser um tretas patológico). Pois.

 

Das duas uma: ou a CIA é o mais imbecil e incompetente serviço secreto do mundo (o termo "intelligence" reveste-se, aqui, de um certo humor) ou então estava a par de tudo e decidiu dar uma ajudinha aos accionistas das empresas de armamento, petróleo e contrução que chafurdam (ainda) no Iraque e que por coincidência financiaram a campanha do então presidente.

 

Por cá, tal como lá, ou como em todo o lado, para o efeito, a direita agarrou-se a esta guerra como se estivesse a jogar ao bate-pé. Aparentemente, as democracias podem mentir, enganar e enviar cidadãos para guerras de legalidade, no mínimo, duvidosa, desde que tal sirva os desígnios de poucos e, acima de tudo, chateie a "esquerda".  Quem quer que seja. Faz lembrar fantasmas antigos: antes das purgas de Estaline, os comunistas eram injuriosamente apelidados de "pacifistas" e, pior ainda, de "promotores do amor-livre". Lembro-me que na altura foi muito interessante ler a crónica deste senhor Pacheco, respondendo ao escritor Mia Couto, muito ou pouco comunista mas bastante pacifista. Para quem a leu, fica claro o verdadeiro significado de Democracia para a massa intelectual de direita. Pode propagandear alarvidades militaristas e outras tretas, prender sem justa causa, torturar, matar e ainda exigir aos contribuintes que paguem tudo isso. Em nome de mentiras convenientes. Considerando a enorme vantagem financeira que alguém arrecadou com esta (e outras) guerras, o termo capitalistamente correcto a aplicar a este caso é "empreendedorismo" de sucesso.


publicado por Harpad às 21:49
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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

eis a verdade de tanta metade

Aparentemente, segundo alguma forma de estudo, 50% dos portugueses acham que antes do 25 de Abril o país estava melhor.

 

Aparentemente tratar-se-ão dos 50% de portugeses que na altura não sabiam ler nem escrever.

 

Ou então dos 50% de portugueses que nos dias de hoje não sabem pensar.


publicado por Harpad às 02:33
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Domingo, 19 de Dezembro de 2010

A importância de se ser carneiro

estou farto farto farto ouviram farto farto de acordar em sobressalto a perguntar se já fomos invadidos pelo fmi pela gripe das aves pela gripe dos porcos há hi ho já nem há açúcar a gasolina vai aumentar o défice continua a crescer o ordenado vai descer vai-se acabar o subsídio de desemprego ora que porra nunca tive direito a ele por mais que tivesse trabalhado afinal é mais fácil ser despedido mas que interessa se o que faço nem consta como trabalho estou farto farto farto da merda destes jornaleiros dizem que se acabou o açúcar o bacalhau e o papel de limpar o rabo que vai ser de nós agora que o mundo está a aquecer quando o que eu tenho é um frio do caralho e nem posso fazer nada quanto a isso porque já me vão aumentar a electricidade e o combustível faz mal ao ambiente porra ai iu eles falam e lá vão os carneiros para o supermercado encher os carrinhos de açúcar que lhes vai chegar até às rabanadas do próximo século mas quem quem porra são estes comentadores académicos políticos e economistas que fazem da minha vida um inferno com quem pensam estes gajos que estão a falar eu sei ler e escrever eu trabalho eu penso eu existo porque tenho que ouvir dia após dia os devaneios alarmistas de brochistas à procura de poleiro de senhores de letras com doutoramentos em filologia eu que tenho um em ciências eu que passo ano após ano a tentar ensinar que o mal está em ser-se medíocre porque tenho que dormir pouco e mal e fugir de tudo e de todos para ter dois segundos de paz mas não posso fugir não posso atravessar sequer a estrada porque vou ser atropelado pelos carneiros que vão ao supermercado a correr comprar o açúcar que ai ui se vai acabar e o fmi que está a chegar porque tenho que ver este mar de cabeças de gado que ruminam lugares-comuns e nada mais para além de abanar o badalo quando o cão-pastor lhes diz para mudar de pasto ruim para pasto de coisa nenhuma e eles vão oh sim eles vão a dizer que a culpa é do aquecimento global a culpa é do trocas a culpa é do carneiro ao lado a culpa é da chuva do frio do preço do pitróil quando o pastor está a guardar o melhor pasto para engordar a vaca que encontrou num bar de rameiras oxigenadas da linha de cascais e venham depois as meninas de bem dizer que abortar é mau e que o papa é bom e que os pobrezinhos são sujos e viva el-rei esta canalha que nunca sujou as mãos na terra de onde saem as couves que não destrói a espinha a acarretar os baldes de massa com que lhes constroem gigantescas casas de putas e desmancham na suíça se engravidam do preto que lhes amanha o jardim da mansão onde vivem mantidas pelo filhos dum cabrão que enriquecem à custa de despedir mentir e fugir aos impostos e já agora porque pago eu vinte por cento com a merda do recibo inventado pela alimária que vocês carneiros elegeram para presidente quando gajos que vivem em palácios pagam quarenta e ganham dez cem mil vezes mais porque querem foder a vida a todos nós por seis sete ou nove ou sejam dez por cento de défice quando economias paralelas fugas aos impostos luvas e mais valias sem direito a tributação foda-se abram os olhos seus carneiros de merda que vos querem foder a vida para não pisar os calos aos ricos aos corruptos e aos espertalhões ponham coelhos no poder e vão vê-los a comer as cenouras e vocês nem a rama

 

pensam que podem falar assim com toda a gente quem pensam que estão enganar estes velhos estes jornalistas de segundas estes meninos betinhos quando dia após dia me atiram tanta desgraça à cara quem são estes gajos com a peida bem sentada no topo da cadeia alimentar para dizer que isto está mal mal mas mesmo muito mal vão-se embora então desapareçam da minha vista nós pegamos na merda que fizeram por incompetência oportunismo e negligência e pomo-la a andar direitinho seus inúteis não pensem que a economia é difícil por mais termos catitas que inventem seus pentelhos ai au o spin-off ai ui o spread difícil seria eu tentar explicar-vos para que serve uma citocromo c oxidase e como funciona seus energúmenos e garanto-vos isso sim que sem ela não vivem por mais que venha por aí o fundo merdoso internacional dizer que vai invadir a minha terra e pôr o meu povo de grilhetas tudo tudo para que os mesmos cabrões que daqui saíram com o cuzinho apertado assim que soou o vinte-e-cinco de Abril borrados de medo para o Brasil não paguem os impostos que devem para terem dinheiro para engordar as putas vacas gordas de que tanto gostam abram os olhos seus carneiros de merda que vos mentem todos os dias todas as outras e vocês comem toda a aldrabice que vos atiram à cara nos jornais na televisão na rádio na internet essa coisa que serve para os ignorantes inventarem e propagarem a sua própria História mémémé abram os olhos seus cornos de merda que vos vão abrir para costeletas e bofes para alimentar os ricos e fartos desta terra e arredores que no fundo vocês adorariam ser méééé dizem que o diabo inventou os impostos e vocês morrem a pensar que com o ar se constroem escolas e hospitais vá encham-se encham-se de tralha de que não precisam mééééééé irão lembrar-se do serviço nacional de saúde quando estiveram a apodrecer numa cama de pardieiro porque não podem pagar seguro de saúde mémémééé porque se o fizessem não haveria consola para o fedelho analfabeto que criaram em casa à vossa triste imagem porque não há impostos para pagar ensino público e o que mais me fode no meio disto tudo é não ter o tempo o talento e frequentemente a vontade para vos dar um chuto no cu maior do que escrever esta merda de texto para ver se acordam seus coirões abram os olhos e aprendam a pensar pelas vossas próprias cabeças que não são os futebóis quem vos põe o pãozinho na mesa e enquanto discutem vocês o lance já vos pregaram uma rasteira à liberdade que a tantos custou a ganhar


publicado por Harpad às 16:46
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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

as cinco partes do mundo são quatro: fé esperança e caridade

Cada vez que vejo um noticiário ou folheio um jornal indeciso-me (do verbo indecidir) entre o suicídio e o genocídio. Suponho que deva agradecer aos senhores jornalistas a animação que trazem à minha vida e à dos demais mas penso que seria injusto atribuir o crédito da miséria dos cidadãos apenas a uma das muitas classes de medíocres a que está integral e inequivocamente entregue este nosso século XXI.

 

Se me é permitido um humilde desabafo, gostaria de partilhar que me sinto deambular por um mundo dominado pelo Ministério da Verdade. No entanto, ao invés da instituição lapidar da Pista Um de Orwell surge esta, ou não fosse o vigésimo primeiro um admirável novo século, elaboradaa como uma espécie de Wikipédia da História Que Mais Convém. O seu funcionamento é simples: re-inventam-se os factos históricos, espalhamo-los pela Rede e citamo-nos todos uns aos outros conforme achamos a informação adequada para o raciocínio que pretendemos desenvolver. É simples, ora atentemos em alguns exemplos:

 

Antes da crise a iniciativa privada iria salvar o mundo de si mesmo e o estado-empresa representava o futuro mais brilhante da humanidade, sendo o estado enquanto entidade pública um verdadeiro emplastro no caminho dos yuppies que iriam retirar a Humanidade das trevas – HOJE todos perguntamos onde está o estado, ei o meu subsidiozinho, ai que a saúde privada é muito cara, ui que não tenho dinheiro para os estudos dos putos, etc. O supremo argumento, a cereja no topo do bolo surgiu aquando o caso BPN: “onde, mas onde estava o Estado que permitiu tão ignobilmente que eu realizasse estas trafulhices?”

 

“SIM, EU PREVARIQUEI MAS SÓ PORQUE O ESTADO ME DEIXOU PREVARICAR. NÃO FOSSE O ESTADO E SERIA EU UM LEGÍTIMO PREVARICADOR”.

 

E mais um perfeito exemplo: aquele cromo do BPP que na semana da ruína do seu próprio banco, lançou um livro de auto-elogio! HAHAHA! Melhor exemplo de como re-inventar a história não deve existir.

 

Mas há mais, oh muitos mais, e talvez melhores casos de argumentação fictícia que se vai multiplicando como amibas num charco até se tornar numa verdade absolutamente indesmentível. Veja-se a teoria que defende que O-Laranjal-poupa-enquento-o-Roseiral-gasta-e-torna-o-défice-um-caos”. De onde vem isto? Já viram bem quanto era o défice nos anos de monarquia absoluta do Sr. D. Rei. Cavaco e a sua Dona Maria? O que andaram estes tipos a fazer na época das vacas mais gordas, quando o dinheirinho da CEE não parava de entrar e cair nos bolsos rotos de pseuso-empresários, boys e outro chupistas do aparelho laranja com zero resultados? Mais: défice democrático, hoje? Então e os secos-e-molhados, os tiros-na-ponte e mais os telefonemazinhos do Marques Mendes para a RTP a dizer “epá, olhai e o camandro…”.

 

Um clássico: “NATO foi criada para nos defender do Pacto de Varsóvia”. ESTÁ TUDO LOUCO?? O Pacto é POSTERIOR À NATO. O próprio ESTALINE pediu para aderir à NATO pouco depois desta ser formada.

 

A crise? Uma maravilha: começou no espectro mais abjecto do Capitalismo, o consumo desenfreado ligado ao crédito desenfreado para o pagar, e acaba no défice, obviamente causado pelo estado social, esse cabrão!!! HAHAHIHO!!!!!

 

Estranho é que o New Deal, que removeu os EUA da crise de 29 em conjunto com o rearmamento europeu, não era, na verdade, um plano de contenção do défice mas sim de investimento social. E esta, hein?

 

Para não falar, claro desses fabulosos modelos capitalistas internacionais: A ISLÂNDIA e a IRLANDA.

 

Não vale a pena. Estamos loucos. Não existe um Ministério da Verdade: existem milhões: cada gajo que (pensando bem, como eu) tem acesso à Rede e a um teclado inventa o que quiser para justificar aquilo que gostaria que mundo fosse por mais absurdo que seja. Os jornalistas espalham a loucura e o pânico. Já não se informa. Já não se pensa, atiram-se postas de pescada. Diz-se que tudo está na merda e, na ausência de argumento que justifique a afirmação, repete-se a mesma. Até ao partido que se quer chegar ao poleiro. Até ao meu clube de futebol ganhar outra vez o campeonato. Até conseguir comprar um telemóvel de cagagésima geração.

 

Como dizem USA Maricanos:

 

Oréver.

 

 

Viva o rei D. Cavaco I.

Viva o Capitalismo.

Viva o FMI.

 

Pim!

 

(foda-se)

 

 

 


publicado por Harpad às 23:33
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Domingo, 3 de Outubro de 2010

O século de todas as ilusões - 1

O século XXI é o século de todas as ilusões. No auge de (mais uma) crise do capitalismo eis que, perante os impávidos e embrutecidos olhos dos europeus, como gado que pasta languidamente num campo, os neo–liberais conseguiram transformar uma consequência do saque a que colocaram o mundo numa pseudo–catástrofe gerada pelo estado social. Como? Injectando, mais uma vez, nas nossas pobres, e já de si conturbadas, mentes o problema secular do défice. Fazem–nos crer que a crise se deve ao défice e este, por sua vez, assenta no incompreensível esbanjar de dinheiro para servir os pobrezinhos e outros inhos que constituem a inerte massa de quem trabalha.

 

A História deixou de existir. Pela mão de uma nova geração de políticos liberais a quem podemos apontar todos os defeitos menos o de serem portadores de ideais, sustentados por um exército de historiadores da blogosfera e dos motores de busca da Internet (mas cheios da pompa de quem é detentor da razão pura) transformou–se o pobre capitalismo numa inocente vítima desses monstros que defendem que os estados devem servir uma maioria e não uma exígua clientela com posses.

 

Para quem ainda não reparou, esta crise começou com o colapso dessa ilusão que é o american dream. Afinal, era tudo mentira: não podemos todos ter uma grande vivenda recheada de electrodomésticos de última geração, um grande carrão à entrada, uma piscina e uma consola para os putos se entreterem. Pois é. Para se ter isso tudo um tipo tem que se endividar até à ponta dos cabelos e quando são milhões a endividar–se até à ponta dos cabelos, as empresas de crédito podem começar a falir. E com elas tudo o resto, porque vivemos num castelo de cartas. E afinal o que tem que ver o défice público, as constas do estado–providência, os ordenados dos funcionários públicos (e os outros) com isto?

 

Absolutamente nada.

 


publicado por Harpad às 03:01
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Segunda-feira, 17 de Maio de 2010

Feios, Porcos e Maus

Portuguese, Irish, Greeks, Spanish. PIGS. Isso mesmo: porcos. Eis como nos vêem os nossos paisanos da Europa nortenha dita civilizada, industrial, estável. O mediterranismo cria muita confusãozinha naquelas cabecitas nórdicas e centro–europeias. E agora fartaram–se nós e o ataque começa sob a forma da pior forma de especulação financeira. A Europa do eixo franco–alemão é um fracasso. Não só se relevou incapaz de escapar a uma crise começada no outro lado do Atlântico como, agora que nela estamos atolados até ao pescoço, consegue apresentar uma medida que seja para a resolver, se não contarmos, claro, com a artificialidade do défice de três porcento. A senhora Merkel e o senhor Bruni estão indignados com a Europa mediterrânica e o seu despesismo, a sua falta de produtividade e competitividade, no entato, é bom relembrar, que passaram uma década a pagar para que deixássemos de produzir para que não pudéssemos concorrer com a sua agricultura e a transformar–nos em mercado e fonte de mar–de–obra barata. De nada lhes serviu, convenhamos, os agricultores centro–europeus continuam na fossa por que não conseguem suportar os custos de produção sem venderem os seus produtos a preços que condenariam à fome os europeus e a produtividade franco–alemã muito se ressente de anos de capitalismo selvagem onde o conceito de investimento a longo prazo é tabu, incapaz de resistir à crise financeira mundial e ao assalto asiático. Fomos transformados, coma lânguida complacência do cavaquismo, no campo de golfe de alemães, franceses e ingleses, os mesmos que se indignam com a nossa falta de produtividade, os mesmos que nos pagaram para que deixássemos de ser competitivos. Afinal, tanta competência junta corre o risco de ser incapaz de salvar o próprio euro.

 

A União é uma excelente ideia empreendida por tontos. Tontos esses que desprezam o Sul com toda a sua aparente inércia, inépcia comercial, corrupção e caos a todos os níveis. Arrase–se a Grécia, mãe da nossa civilização. Destrua–se Portugal, que já era uma potência mundial quando muitos germânicos ainda tinham saudades de adorar ídolos de pau no meio dos bosques. Avizinha–se já o próximo alvo, a Espanha. Não se deveria preocupar tanto a senhora Merkel e afins: sobrevivemos ao nascimento e queda de um império com o qual os alemães apenas puderam sonhar, a meio século de ditadura fascista, a séculos de monarquia incompetente, ao pior sismo registado na Europa, sobrevivemos, imagine–se, a nós próprios. Cá estamos e, mesmo lutando contra o nosso intrínseco pessimismo, cá havemos de continuar, um dia de cada vez, um porcento do défice de cada vez, um mau governo de cada vez. Talvez até sobrevivamos ao capitalismo, essa aberração idealizada por medíocres ao dispor de medíocres que até consegue destruir países inteiros pela força da mais pura e abjecta especulação, para riqueza de uns e gáudio de outros.


publicado por Harpad às 01:01
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Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Porque nós merecemos

Aparentemente, os males do mundo foram gerados pelo Socras, essa mefistofélica encarnação. A crise, a inflação, a deflacção, a cripe do porco, das aves e de outros animais domésticos, da chuva, da seca, dos buracos no orçamento e na estrada. Estou convencido que fiquei sem acesso à Rede este fim-de-semana por culpa desse senhor. Disso e talvez um pouco de pé-de-atleta também. No PSD já se cheira a poder. Até a corja da Vintena Maravilha de empresários, génios de Portugal, já pôs as anteninhas de fora para atirar postas de pescada sobre como gerir o país, como se por acaso tivessem esses senhores sido eleitos por alguém e como se por acaso tivessem mais direito a expressão do que qualquer eleitor deste país. As pessoitas desta terra devem andar esquecidas, ou então serão burritas mesmo, assim se entende desde que elegeram a figurinha que nos serve de PR. Devem ter-se esquecido de quem inventou os recibos verdes. De quem enviou para o mais profundo dos oblívios a cultura e a ciência e de quem foi a célebre ministra da educação que, anos antes da maluquinha com problemas hormonais (e não só) que rege tão importante pasta (e o seu respectivo cão de guarda) cilindrou a voz dos profesores e dos estudantes. Deve o povinho ter-se esquecido quem foi o governo que desperdiçou mundos e fundos da UE quando os havia em abundância para que ficássemos todos a ver países como a Espanha e a Irlanda passarem-nos à frente em todos os aspectos possíveis e imaginários. Lembremo-nos qual o partido que nos colocou na fotografia dos Açores. Quando dissermos que o Socras quer controlar os media lembremo-nos do Marques Mendes e os tão falados telefonemas para a RTP há uns anos atrás, caso que nunca foi explicado. O problema do actual PM é a arrogância? Não, meus caros a mais arrogante figurinha que tomou o poder nas últimas décadas é agora PR e na altura gostávamos tanto dele que lhe renovámos a maioria absoluta.

Os laranjinhas, entre conferências de imprensa a atacar o Socras, devem rezar a todos os anjinhos em agradecimento por não estarem no poder em plena crise económica internacional. Eles sabem, e melhor do que nós, povo bruto, alguma vez saberemos, que não têm qualquer resposta para a crise. Eles sabem, aliás, que se chegarem ao poder antes da crise passar Portugal enterrar-se-á de uma maneira de modo profunda que irá fazer do pós-Grande Guerra uma época de bonança. Sim, eles sabem. O PSD, no entanto, não é um verdadeiro partido político mas sim uma associação de cidadãos para benefício individual. O PSD existe para servir os seus militantes, não tem ideais nem verdadeiras ideias. Existe para distribuir tachos, cunhas e benefícios. Quem não acreditar que veja o que fazem antigos ministros e secretários de estado: quantos estão a liderar empresas privadas construídas com dinheiro dos contribuintes. Como já alguém disse, o PSD é um partido de poder, esta é a sua verdadeira identidade e razão de existência. O PS não é muito melhor, mas o termo "Socialista" pelo menos ainda tem o condão de atrair um ou outro medíocre com algumas preocupações sociais.

 

Pensemos, portanto, pensemos bem naquilo em que nos estamos a meter. No que me toca, não deposito esperança em seja o que for ou sem seja quem for. Ninguém se interessa e ninguém parece fazer uso do encéfalo. Até os americanos parecem tê-lo feito: eles entenderam o que se deve fazer quando ocorre uma crise do Capitalismo. Neste continente, pelo contrário, rumámos alegremente para a direita para gáudio de Merkels, Sarkozys, Browns, Berlusconis e até de Durões, uma amostra dos mais medíocres líderes que a Europa conseguiu parir em muito, muito tempo. Pensando bem, se calhar merecemos tudo aquilo que nos cai em cima. Nós cá da aldeia e o resto dos europeus.


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Domingo, 18 de Janeiro de 2009

XXI Ocidental - I

Não consigo deixar de julgar extraordinário o modo como um uníssono coro de vozes se ergue no ar para defender o Capitalismo cada vez que um acontecimento abana as frágeis fundações deste castelo de cartas em que vivemos. Do mais iletrado dos viciados em telemóveis ao supremo intelectual neo–liberal há toda uma fauna que teme que venham os malvados dos comunas, outra vez, chocalhar o nosso plácido charcozinho. De todos os regimes sócio–económicos que existiram, exceptuando o nacional–socialismo, pois nada há de mais medíocre do que crer que os seres humanos se dividem em “raças” e que entre estas umas são superiores, o Capitalismo é o único que depende integralmente da mediocridade humana. Se os seres humanos fossem intrinsecamente bons viveríamos em Anarquia, sem necessidade de leis, governos ou fronteiras. Até o Feudalismo seria auto–sustentável, com um lorde justo, empreendedor e respeitador da vontade da plebe. Mas não o Capitalismo. O Capitalismo não só fomenta a mediocridade como se alimenta dela. Depende da ganância, da avareza, da sede de dinheiro, poder e de bens de consumo. Especular sobre o preço de bens de primeira necessidade, prejudicando o seu acesso aos méis desfavorecidos é ser–se medíocre. Especular sobre os preços dos terrenos, forçando milhões para longe das cidades em direcção a subúrbios inertes, é ser–se medíocre. Deslocalizar uma empresa condenando centenas e milheres ao desemprego para conseguir mão–de–obra barata, é ser–se medíocre. Preterir–se mão–de–obra qualificada ou recusar pagá–la com o valor que merece é ser–se medíocre. Despedir uma mulher que engravida é ser–se medíocre. Privatizar a saúde e a educação, tornando–as acessíveis apenas a uma elite, é ser–se medíocre. Consumir desenfreadamente e atolar a família em dívidas para esse efeito, é ser–se medíocre. Recusar aumentar os salários dos trabalhadores e comprar um novo automóvel desportivo, é ser–se medíocre. Forçar os contribuintes a pagar uma autoestrada e entregar a sua gestão a um privado que nada investe mas tudo recebe, é ser–se medíocre. Impedir o acesso a medicação barata, é ser–se medíocre. Dizer–se que não deve existir segurança social porque não se quer dar dinheiro a pobrezinhos, é ser–se medíocre. Um sistema que esgota a riqueza em circulação ao acumulá–la nos bolsos de poucos, obrigando famílias a endividar–se para comprar merdas de que não necessitam até não poderem pagar os empréstimos e assim gerar uma reacção em cascata de falências nos sistema financeiro, é medíocre. Um sistema que depende de catástrofes financeiras para repor a riqueza no mercado, é medíocre. Um sistema que depende da exploração de povos e países para deles extrair riqueza continuamente para compensar o endividamento e a inflação, é medíocre. Um sistema em que o humanista crítico é um pária ou, pior, um comunista, e o espertalhão um grande líder, um economista genial, é medíocre. Achar que o Capitalismo é auto–sustentável supera ser–se medíocre, é ser–se estúpido, é ser–se ignorante. Os intelectuais neo–liberais é muito que se esforçam por nos convencer de que Capitalismo e Democracia são a mesma coisa. Não são. O Capitalismo é muito superior: a sua existência demonstra que somos capazes de trocar o livre–pensamento por uma consola de jogos.


publicado por Harpad às 01:21
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Sábado, 10 de Maio de 2008

Salvé o fundamentalismo papal

Aqui fica um tópico de um outro blogue, a preencher um "mês em branco".


"Depois de atacar a Teoria da Evolução, eis que o senhor Ratzinger, também conhecido como Bento XVI, revela toda a grotesca face do fundamentalismo cristão que o mundo do século XX esperava ter lançado no esquecimento. O século XXI parece regredir para uma lógica pré- vitoriana a cada dia que passa. Enterram-se, todos os dias, as grandes vitórias conquistadas a ferro e fogo do Laicismo, do Socialismo, do Pacifismo e do Pluralismo. O que este senhor conseguiu foi colocar a guerra anti-terrorismo num plano algo semelhante a uma cruzada cristã. Seguiu-se a hipocrisia e o medo de retaliação sob a forma de um discurso expiatório. Bush e comparsas agradecem, tal como Ahmadinejad e o Ayatollah, para os quais o fundamentalismo religioso é também razão de existir. Os fundamentalistas vivem do ódio e do preconceito e o papa vê na conjuntura actual uma boa oportunidade de reevangelizar os seus fiéis em torno da luta anti-terrorista.

O senhor Ratzinger há muito que desejava uma oportunidade para soltar o que realmente pensa. Quem ficou surpreendido lembre-se que foi ele o mentor da instituição de nome moderno que substituiu a Santa Inquisição. Se ele ganhar apoios suficientes o que nos esperará? Uma nova vaga de cruzadas? Herejes queimados pelo fogo? Talvez este novo papa tenha aprendido o hábito das fogueiras em plena rua na Alemanha dos anos trinta. Se pudesse, o primeiro livro que a elas atiraria seria a Origem das Espécies e o segundo o Corão (o terceiro seria o Manifesto?). O que pode fazer um ateu perante o fundamentalismo religioso? Há quem diga que é uma boa posição para se ser um apaziguador. Não creio. Ser ateu faz de mim um inimigo de todo o tipo de fundamentalismo, alguém para quem não existe uma luta entre as várias religiões mas sim uma guerra entre todas elas e aqueles que crêem que a religião oficializada e institucionalizada não tem lugar na Democracia."


publicado por Harpad às 19:35
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Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

O rancor dos rancores

Em cada ano que passa torna-se mais notório que os direitinhas da casa se assanham contra os ideiais de Abril, ou simplesmente contra qualquer coisa vagamente de esquerda. Não estou admirado, contudo, o século XXI pertence-lhes. Aí está que depois do conturbado século XX voltaram os empregos precários (os simpléxes ou lá como se diz agora), a morte lenta do estado social, o definhar da democracia para uma autocracia rotativa entre dois partidos liberais, o aumento do preços dos bens de primeira necessidade (só verdadeiramente limitativos para o Zé Comum), o imperialismo (agora chamado de mercado global) e muitos outros fenómenos. Há muito estavam à espera, pobrezinhos dos fazendeiros retornados, dos orpimidos pelo regime Marxista imposto pelo 25 de Abril. Amanhã é o 1º de Maio. Que significa isto para o trabalhador do século XXI, essa criatura sonâmbula enterrada viva nos subúrbios, sem saber se estará a trabalhar no próximo mês, a contar tostões para comprar fraldas, pagar as contas e os impostos (e agora o arroz?!).


publicado por Harpad às 22:55
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Fominha (até) no mundo ocidental?

Admito que não estava à espera que acontecesse tão cedo mas aconteceu: os preços dos bens alimentares no mundo ocidental começou a disparar. A especulação agarrou-se aos cereais e outros alimentos essenciais como cão a quem falta osso melhor.  O que tinha aguentado os preços até recentemente era a política de agricultura subsidio-dependente dos países civilizados, já que a produção há muito se revela insuficiente para cobrir os crescentes custos de produção (a começar pelos combustíveis). Junte-se o fim desta ajuda (prioritários são os défices, não a comida) com a especulação que é a base deste nobre sistema económico em que vivemos, o capitalismo e aí está: vêm tempos de fomeca. Para nós é muito grave. Para os países em desenvolvimento é uma catástrofe. A fome já gerou muitas revoluções e guerras sangrentas mas como a humanidade não aprende, principalmente quando o que conta são os bens de luxo que são o cartão de visita do capitalismo e aos quais a populaça se agarra com unhas e dentes, sem melhor do que fazer do correr para os hipermercados aos fins-de-semana, pouco há a fazer.

 

Talvez nos faça bem voltar a aprender que há coisas muito mais importantes do que o tunning de automóveis, piscinas no quintal, passerelles, diamantes para a patroa e consolas para os putos. Talvez consigamos abrir os olhos para o facto de que a economia de mercado enriquece uma minoria enquanto obriga a mioria a contar tostões para pagar os bens de primeira necessidade, a mesma minoria que vem para os media falar para nós pobres idiotas que nada percebemos de competitividade empresarial, a mesma minoria que acha que o estado é um empecilho excepto quando os outros meninos da mesma minoria fazem batota ou quando os impostos pagam subsídios a privados e lhes dá obras públicas para executar. O mesmo tipo de corja que especula (e enriquece bem e facilmente) com aquilo de que precisamos também afunda, desmantela e deslocaliza empresas, não paga impostos sobre mais-valias bolsistas e merdas afins. Eu sei que o anti-capitalismo gera mais ódio do que todo o fanatismo religioso junto, os comunistas já o tinham percebido três quartos de século antes de Estaline sequer chegar ao poder, mas que ninguém se esqueça que há algo capaz de mobilizar muitos mais milhões em torno de uma diferente forma de ódio: a fome.

 


publicado por Harpad às 00:14
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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

Alteração do estatuto da carreira docente prevê novas penalizações

A ministra de educação, Maria de Lurdes Rodrigues anunciou na semana passada as novas regras para os professores cuja avaliação se revelar pouco satisfatória. A ministra elaborou uma escala de penalizações que prevê a reciclagem dos docentes e da qual constam as seguintes categorias:

 
prática indesejada
recolocação/penalização
Ter um afrontamento a meio de uma aula
Gulag
Falecer
Descida imediata de dois escalões. O docente é obrigado a leccionar o resto do ano lectivo sem remuneração e terá de financiar o seu próprio formol
Baixa por insanidade
Administração do Ministério
Obrigar um puto a fazer o tpc quando ele não quer
Fuzilamento
Usar uma barba estilo baladeiro do PREC e uns óculos de massa
O docente é obrigado a fazer um casting para a Floribella se for homem e a entrar no Jura se for mulher
Engravidar
Reforma agrária
Meter baixa por a família do puto que não quis fazer o tpc lhe ter partido as perninhas
Table dancing na sede do Ministério ou aceitar um cargo na Comissão Europeia
       
 
    
                                



 

 


publicado por Harpad às 23:12
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Domingo, 6 de Janeiro de 2008

Algumas reflexões para 2008 - 1

1. Os dramas de D. José Policarpo

O Cardeal Patriarca, lançou um repto, durante a sua homilia de Natal, ao fim dos "ateísmos" nas suas diversas formas, por serem causa "de todos os dramas do mundo". Gostaria de perguntar a sua eminência se Bin Laden é ateu, tal como Al-Zarkawi, o Mullah Omar e o seu regime talibã, Moqtada Al-Sadr e já agora G. W. Bush, um indivíduo que disse ao antigo Papa ter sido incumbido por Deus de acabar com o mal na Terra. Já agora aproveito para lhe perguntar quantas guerras foram iniciadas e travadas, quantos foram queimados na fogueira e quantos aviões se fizeram explodir contra edifícios em nome do ateísmo. Aliás, o mundo inteiro espera pelo desfecho da luta sobre a palestina, essa terra de ateus. Estou também curioso por saber o que pensa este senhor sobre ter mais quarenta anos de esperança de vida em vida em relação à Idade Média graças ao trabalho dos ignóbeis ateus e agnósticos que passaram os últimos séculos a investigar sobre Biologia, Medicina e Ciência em geral.


2. O francesismo de Sarkozy

O presidente francês confirma que é um perfeito francês: é um playboy, arranjou uma nova namoradinha boazona e é cobarde. O cancelamento do Lisboa-Dakar é um exemplo chapado de mais um feito dos tipos para quem as únicas vitórias militares relevantes foram levadas a cabo por um corso.


3. O nosso governo e afins

Terminou mais uma sessão de auto-propaganda do nosso governo, representado pela pessoa do ministro das finanças, Teixeira dos Santos. Irrelevante. Aparentemente, Paulinho das Feiras já comentou.  Mal posso esperar pelo que o feirante vendedor de camisolas de contrafacção que é o novo líder do nosso maior partido da oposição tem para dizer. Ou então, não.


4. De Cigarros e outros crimes

Enquanto escrevo isto fumo um cigarro. Este blogue não tem mais de cem metros quadrados de área nem sistema de extracção de fumos. Que será de mim se a ASAE descobrir? Numa época em que se pretende instalar o puritanismo de hábitos e a higiene moral tenho uma data de pecados a confessar, perdoe-me M.A.I. por que pequei: fumo, gosto da minha cervejinha e de futebol, do tremoço, de comida gordurosa, ponho açúcar no café, gosto de ver mulheres nuas e até já contei anedotas sexistas, racistas e homofóbicas. De dizer mal do governo e dos políticos nem se fala.


publicado por Harpad às 19:06
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